Família e amigos vão ao evento de lançamento de 'Quanto Mais Preta, Melhor' no Rio de Janeiro
Amigos e familiares de Preta Gil, que morreu há exatamente um ano, no Dia do Amigo, se reuniram na noite desta segunda-feira (20) no Teatro do Copacabana Palace, na Zona Sul do Rio, para a exibição do filme documental Preta – Eu Não Ando Só e do primeiro episódio da série Original Globoplay Meu Nome é Preta.
As duas produções estreiam como parte do projeto Quanto Mais Preta, Melhor, homenagem da Globo à força, autenticidade e ao legado da artista, que morreu aos 50 anos, em 20 de julho de 2025, em decorrência de complicações de um câncer no intestino.
Ela estava nos Estados Unidos, onde passou a realizar um tratamento experimental após a doença ter se espalhado.
Na TV Globo, o documentário Preta – Eu Não Ando Só traz um retrato íntimo dos últimos anos de sua vida, construído a partir de imagens inéditas gravadas pela própria cantora e por amigos durante o tratamento oncológico.
Já no Globoplay, a série Original Meu Nome é Preta, produzida pela Conspiração, percorre sua trajetória pessoal e profissional, revelando a mulher que transformou sua própria história em instrumento de representatividade, afeto e liberdade.
A série será dividida em quatro episódios liberados semanalmente.
Preta – Eu Não Ando Só será exibido na TV Globo nesta segunda (20), após a novela Quem Ama Cuida, e ficará disponível posteriormente no Globoplay.
Na mesma data, estreia no streaming Meu Nome é Preta, com o primeiro episódio aberto para não assinantes.
Os demais episódios serão lançados semanalmente, com o episódio final disponibilizado em 8 de agosto, data que marca o aniversário da artista.
Juntas, as produções oferecem um panorama amplo sobre quem foi Preta Gil.
Enquanto o filme acompanha sua jornada mais recente, marcada pela coragem de compartilhar vulnerabilidades e fortalecer laços com amigos e familiares, a série resgata momentos decisivos de sua vida, desde a infância até sua consolidação como artista, empresária e figura pública que desafiou padrões e abriu caminhos para importantes debates sobre diversidade, corpo e comportamento.
Em entrevista à Quem, MC Carol relembrou a amizade com Preta Gil e destacou a importância de manter viva a memória da cantora, reconhecida por sua generosidade e acolhimento.
"Eu conheci a Preta no programa Esquenta.
Eu estava muito no início, acho que era ali em meados de 2010.
E ela, nossa, sempre foi muito generosa, muito acolhedora".
"Eu lembro que fui ao programa Esquenta umas três, quatro vezes.
E aí, em uma das últimas vezes, eu estava com um problema familiar e comecei a chorar dentro do projeto, lá no estacionamento.
E a Preta veio, me abraçou e perguntou o que estava acontecendo.
Aí, eu desabafei com ela.
E eu, assim, não era ninguém.
Eu estava muito no início, muito no início.
E ali eu já percebi quem ela era", completa a funkeira.
Preta - Eu Não Ando Só
Produzida a partir de registros captados por celulares e depoimentos de pessoas que estiveram ao lado de Preta em diferentes momentos, Preta – Eu Não Ando Só revela uma rede de afeto que a acompanhou durante toda a vida e reúne participações de nomes como Carolina Dieckmmann, Ivete Sangalo, Regina Casé, Gominho, Ana Carolina, além de familiares como Francisco Gil, Sol de Maria e Gilberto Gil.
Para Sandra Kogut, diretora do filme documental da TV Globo, a obra traduz a potência de uma mulher que fez da própria vida um gesto de compartilhamento.
"O filme coloca a gente muito perto da Preta, na intimidade, e ao mesmo tempo dá a dimensão de quem ela foi.
Apesar da doença, tudo na Preta era sobre a vida, a pulsão gigante da vida.
Então é um filme que abraça isso, a alegria, a gargalhada, a vontade de viver.
E ao mesmo tempo ela tinha essa vontade de se mostrar para o mundo de peito aberto.
O filme mostra também as dores e as lágrimas", afirma.
Já para diretora Mônica Almeida, esse filme documental é especial por se tratar de um pedido da própria Preta.
"Ela me chamou para conversar em 2023.
A vontade era fazer um filme mais íntimo, filmado pelos amigos.
Ela queria se filmar, queria que fosse de verdade, original como ela.
A gente acompanhou todo esse processo, o filme foi mudando ao longo do tempo, se desenhando conforme o caminho da Preta", conta.
O filme tem direção artística de Mônica Almeida, direção de Sandra Kogut, roteiro de Renato Terra, produção executiva de Fernanda Neves e produção de Elaine Sá.
Meu Nome é Preta
No Globoplay, Meu Nome é Preta amplia esse olhar ao reconstruir a trajetória da artista a partir de imagens raras, registros históricos e depoimentos inéditos de amigos e familiares.
A série recupera desde filmes em Super 8 de sua infância até momentos marcantes de sua carreira, como a criação da Noite Preta e do Bloco da Preta, além dos desafios e conquistas que fizeram dela uma personagem central na cultura brasileira contemporânea.
De acordo com a diretora Mini Kerti, a série evidencia a coerência entre a artista que o público conheceu e a pessoa que viveu intensamente sua própria história.
"A série mostra que Preta Gil nunca teve medo de revelar a sua essência para o mundo.
Ela se conectava de forma generosa com as pessoas e se expunha impiedosamente.
Ela não criava pautas, ela era a própria pauta", destaca.
A produtora Luísa Barbosa complementa: "O que mais surpreende ao mergulhar na história de Preta Gil é a coerência radical entre a pessoa pública e a privada.
Fica claro que aquela personalidade expansiva, generosa e sem filtros que o público via era exatamente quem ela era na intimidade.
Contar sua história é reconhecer a força de quem escolheu viver com autenticidade, mesmo sob julgamento constante, e evidenciar o impacto real que isso teve na cultura e no imaginário coletivo".
A série original tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil.
Veja fotos:
MC Carol de Niterói
Marcelo Sá Barreto / AgNews
