Família denuncia que britânico teve quatro dentes arrancados com alicate durante 'tortura' em cadeia nos Emirados Árabes Unidos
A família de um britânico denunciou que ele teve quatro dentes arrancados com alicate no Centro de Detenção de Sharjah (Emirados Árabes Unidos - EAU) durante uma "série de torturas". Detido desde novembro de 2025, Ryan Pepper, de 27 anos, não foi acusado formalmente nem foi a tribunal. Ele alega não saber o motivo de sua prisão.
Em mensagens manuscritas entregues clandestinamente à Detained in Dubai, organização de diretos humanos que combate maus tratos em prisões nos EAU, Ryan afirmou que ele e um grupo de amigos foram "sequestrados e espancados por policiais", que os encaminharam à prisão. Segundo o britânico, eles foram alocados em celas superlotadas, com cerca de 20 pessoas.
"Estou sendo detido ilegalmente, sem qualquer indício de comparecimento ao tribunal, de sentença ou de atualizações sobre o caso. Havia cerca de 20 pessoas por cela. Todos nós fomos espancados pela polícia. Fui espancado durante 19 dias seguidos", relatou o britânico em mensagem. Ryan tinha viajado para os EAU de férias, mas acabou ficando por lá depois de, supostamente, ter conseguido trabalho como corretor de imóveis.
Ryan Pepper pediu para que a família não tente visitá-lo
Arquivo Pessoal
Casado e pai de dois meninos, Ryan também foi proibido de entrar em contato com a sua família, tendo pedidos de telefonemas a parentes negados. Chloe Pepper, sua irmã, afirmou ao "Sun" que "ele está mais preocupado do que nunca, temendo que eles simplesmente os matem e joguem os corpos em algum lugar".
“Duas semanas se passaram até que a embaixada descobrisse que ele estava na prisão", disse Chloe, que chegou a pensar que o seu irmão estivesse morto.
"É preciso fazer algo o mais rápido possível. Ele já teve quatro dentes extraídos", concluiu a familiar.
Apesar da preocupação da família, Ryan pediu repetidas vezes, no seu recado, que a família não vá ao país do Oriente Médio para visitá-lo ou tentar negociar a sua liberdade, pois teme que eles também sejam presos e torturados:
"Não venham aos Emirados Árabes Unidos para visitar. As visitas são permitidas apenas uma vez por semana, durante 5 minutos, atrás de uma parede de vidro. É inútil."
O Foreign Commonwealth and Development Office, órgão britânico equivalente ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, afirmou ter ciência do caso e estar tomando providências para devolver a liberdade de Ryan. Em nota à BBC, a pasta disse:
"Nós estamos em contato com a família dele e estamos tratando o caso diretamente com as autoridades locais. O Reino Unido leva todas as denúncias de tortura e maus-tratos muito a sério e encaminhará o caso às autoridades competentes".
Apesar da declaração, a CEO da organização Detained in Dubai, Radha Stirling, acredita que o órgão não deveria confiar nas autoridades locais:
"O Ministério das Relações Exteriores continua a confiar nas garantias obtidas em ambientes onde os detidos podem estar aterrorizados demais para falar honestamente. As autoridades britânicas não podem avaliar de forma significativa as denúncias de tortura se forem monitoradas pelas mesmas autoridades acusadas de abuso. O caso de Ryan segue um padrão cada vez mais alarmante envolvendo detidos britânicos nos Emirados Árabes Unidos."
* Estagiária sob supervisão de Fernando Moreira
