Família de Ronaldo Henrique faz protesto em Senador Camará e cobra respostas sobre morte de adolescente
Familiares e amigos de Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, realizaram um protesto na região de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, neste sábado. A manifestação ocorreu cerca de três dias após a descoberta do corpo do adolescente e menos de 24 horas depois do enterro. Segundo Sthefanny, irmã mais velha da vítima, a família ainda aguarda respostas sobre “quem matou Ronaldo”.
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O ato começou por volta das 14h, com concentração no Campo do Olaria, em Senador Camará. Usando camisetas com o rosto do jovem estampado e cartazes pedindo justiça, dezenas de pessoas soltaram fogos, entoaram palavras de ordem e seguiram em carreata pela Estrada da Olaria Velha, Avenida Santa Cruz e outras vias da região.
— Foi doloroso, mas, ao mesmo tempo, deu para ver como meu irmão era querido. Conforme passávamos pelas ruas, as pessoas gritavam o nome dele. Isso dá força para continuar nossa luta — afirmou Sthefanny.
De acordo com ela, a família ainda não recebeu novidades sobre as investigações. A Polícia Civil, no entanto, informou que o caso, inicialmente conduzido pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), foi encaminhado à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que segue à frente das apurações. Em nota, a corporação disse que “diligências estão em andamento para apurar os fatos”.
Postagem nas redes pode ter motivado o crime
Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, encontrado morto nesta semana
Reprodução / Facebook
Informações preliminares apontam que a tortura e a morte de Ronaldo podem ter sido motivadas por uma imagem em que o adolescente aparece fazendo o número três com os dedos. O gesto teria sido interpretado por traficantes como uma referência ao Terceiro Comando Puro (TCP) — que atua em Senador Camará, onde mora parte da família da vítima. A facção é rival da que domina a comunidade Cesar Maia, onde Ronaldo estava.
A mãe de Ronaldo, Monique Andrade, publicou um vídeo nas redes sociais nesta sexta-feira, no qual classificou o que aconteceu com o filho como uma “covardia”.
— Ele era inocente, não tinha envolvimento com nada de errado. Ele só foi pela cabeça de amigos — disse ela, em vídeo publicado no Instagram, onde também agradeceu pelas mensagens de apoio recebidas. — Essa luta vai continuar, porque eu não vou deixar isso impune.
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Ao GLOBO, a família reforçou que Ronaldo não tinha qualquer envolvimento com atividades ilícitas. Apaixonado por carros e motos, ele sonhava em se tornar mecânico. O adolescente morava com a mãe em Santíssimo, também na Zona Oeste do Rio. Usava a bicicleta para trabalhar como entregador e era atleta de muay thai.
Relembre o caso
Segundo parentes de Ronaldo, ele e dois amigos foram até Vargem Pequena para encontrar uma jovem. No local, um dos rapazes entrou em um imóvel com a menina, com quem havia marcado um encontro, enquanto Ronaldo e o outro adolescente aguardavam do lado de fora.
Ainda de acordo com a família, os dois teriam sido hostilizados por outros adolescentes da região e decidiram chamar o amigo para deixar o local. “Vocês são alemão, né?” e “Mete o pé, alemão”, teriam ouvido. Depois disso, já em um ponto de ônibus fora da comunidade, os três teriam sido abordados por criminosos locais.
Homens em motocicletas mandaram que os adolescentes subissem nos veículos e os levaram de volta para a comunidade. Lá, os três teriam sido levados para um terreno abandonado, onde foram amarrados e torturados. Dois deles foram liberados, mas Ronaldo permaneceu sob o poder dos criminosos. O corpo do adolescente foi encontrado na Estrada do Gabinal, em Jacarepaguá.
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