Família de piloto preso em Congonhas está 'horrorizada', diz delegada

 

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A família do piloto Sérgio Antônio Lopes, preso na última segunda-feira no aeroporto de Congonhas, ficou horrorizada com a acusação de ele ser parte de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes.

O conteúdo que já foi encontrado nos celulares apreendidos foi classificado pelos investigadores como estarrecedor. A Polícia Civil trabalha na extração de dados e perícia dos celulares que foram apreendidos durante a Operação Apertem os Cintos, na última segunda-feira.

A delegada Luciana Peixoto, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, afirmou que a família ficou em choque com a prisão dele.

'A família do piloto, ela não foi ouvida, eles não são foco da investigação. Eles ficaram muito abalados com a notícia e, por isso, eles não foram ouvidos, porque eles não tinham informações para acrescentar e ouvi-los num momento desse era até algo que eu considerava não ideal, desumano. Então, a família dele não foi ouvida'.

De acordo com a Polícia, a esposa dele, que é psicóloga, se sente culpada de nunca ter percebido a atuação do marido.

As provas colhidas apontam para uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos.

A Polícia Civil encontrou indícios de que a rede de atuação atingia outros estados.

Além do piloto, outras duas mulheres também foram presas. Uma delas é a avó de três vítimas e é acusada de vender as próprias netas ao piloto. Eles devem ser interrogados no final da investigação, de acordo com a delegada Luciana Peixoto.

'Ainda tem diligências a serem feitas, mas as famílias diretamente relacionadas a essas primeiras vítimas já foram ouvidas. O piloto e a dona Denise ainda não foram interrogados, eles vão ser interrogados mais para frente, porque a gente sabe que ainda tem outros elementos que vão surgir'.

De acordo com a Polícia, a profissão de Sérgio como piloto não tem qualquer relação com os crimes que ele praticava, mas dava permitia mobilidade para praticar os crimes.

A investigação começou em outubro do ano passado e indica que os abusos vinham ocorrendo há pelo menos oito anos. A Polícia Civil identificou cerca de dez vítimas, com idades entre 8 e 14 anos.

O piloto levava as crianças e adolescentes para motéis, utilizando documentos falsos. Uma das vítimas sofreu agressões na semana passada. O piloto vai responder por diversos crimes, dentre eles estupro de vulnerável, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil e aliciamento de crianças.