Família de jovem morto por tigre critica vídeo publicado por Trump em referência ao caso: 'Profundamente ofensivo'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A família do jovem ator britânico William Chapman, de 23 anos, morto após entrar no recinto de um tigre em um parque de vida selvagem no Reino Unido, criticou a circulação de imagens relacionadas ao caso após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhar um vídeo do ataque. Em seguida, Trump publicou uma gravação gerada por inteligência artificial em que ele próprio aparece sorrindo, rolando na grama e brincando com o tigre no mesmo local onde Chapman foi morto. O episódio da tragédia ganhou grande repercussão internacional. Veja também: Homem morto por tigre em zoológico na Inglaterra foi ator-mirim e trabalhou em série de estrela de 'Harry Potter' E mais: Influenciadora de 2,18 m, que ficou famosa por diferença de altura com o marido, morre aos 26 anos na China Chapman morreu no sábado (10), depois de entrar no recinto de Altai, um tigre-de-amur, também conhecido como tigre-siberiano, no Yorkshire Wildlife Park, na cidade de Doncaster. O animal o atacou enquanto ele estava dentro do espaço destinado ao felino. O parque informou que Altai não será sacrificado. Na terça-feira (13), Trump publicou em sua rede social, a Truth Social, um trecho do ataque que mostra o tigre mordendo e arranhando Chapman. Em determinado momento, o jovem aparece sentado no recinto e aponta o dedo para o animal. As imagens compartilhadas pelo presidente não mostram o momento da morte. — Não mexa com a natureza! — escreveu Trump ao publicar o vídeo. Mais tarde, o presidente americano compartilhou outro vídeo, desta vez produzido com inteligência artificial. Na gravação, ele aparece sorrindo e correndo em direção ao tigre para brincar e lutar com o animal. A montagem usa a música "The Lion Sleeps Tonight", do grupo The Tokens, e reproduz o gesto feito por Chapman no vídeo original. No fim, Trump aparece abraçando o tigre. A família de Chapman afirmou que a circulação desse tipo de conteúdo é "profundamente ofensiva" e está provocando "grave sofrimento" em um momento de extrema vulnerabilidade. — A família está completamente devastada pela perda e lutando para aceitar o que aconteceu. A publicação e a circulação de conteúdos de mídia profundamente ofensivos estão causando um sofrimento severo em um momento de extrema vulnerabilidade. Pedimos às pessoas que parem de fazer isso — afirmou a família em comunicado publicado pelo jornal britânico The Guardian. Os parentes também disseram esperar que as autoridades esclareçam por que Chapman entrou no recinto. Segundo eles, o jovem sofria de uma doença mental significativa havia vários anos e, por isso, fazia uso de medicamentos fortes. A família ressaltou, porém, que caberá ao legista determinar se essa condição teve alguma influência na morte. — William era um jovem brilhante, caloroso e cativante, muito amado por sua família — disseram os parentes, pedindo respeito ao processo de investigação. William Chapman morreu depois de entrar em recinto de tigre, na Inglaterra Reprodução / Instagram e TikTok Especialista critica vídeo de Trump Will Travers, presidente-executivo da Born Free Foundation, organização britânica dedicada à proteção de animais selvagens, também criticou a publicação produzida por inteligência artificial. Segundo ele, o vídeo não é apenas "extremamente insensível", mas também irresponsável porque pode estimular pessoas a buscar contato direto com animais selvagens mantidos em cativeiro. — Essas imagens e vídeos podem incentivar indivíduos a buscar contato direto, irrealista e de alto risco com animais selvagens em cativeiro — afirmou. O governo britânico também foi questionado sobre o compartilhamento das imagens. Downing Street, sede do governo, afirmou que a posição da família deve ser respeitada, mas evitou comentar diretamente as publicações de Trump. — Obviamente, a família deixou clara sua posição. É claro que respeitamos essa posição — disse o porta-voz oficial do primeiro-ministro britânico. William Chapman morreu depois de entrar em recinto de tigre, na Inglaterra Reprodução / Instagram Jovem havia sido ator quando criança Chapman havia trabalhado como ator quando criança. Segundo registros disponíveis, ele participou da produção de comédia dramática "May Contain Nuts", exibida pela ITV em 2009, e da série "True Stories", da BBC Learning. O jovem também estudou na Jackie Palmer Stage School, em High Wycombe, no condado de Buckinghamshire. A escola publicou uma homenagem após sua morte e afirmou estar "profundamente triste" com a perda. — Foi um privilégio fazer parte de sua jornada, e ele será lembrado com grande carinho por todos que tiveram o prazer de conhecê-lo — afirmou a instituição. A família descreveu Chapman como uma pessoa "brilhante, calorosa e cativante" e destacou que ele era profundamente amado pelos parentes. Um dos tigres do zoológico Yorkshire Wildlife Park Resort Reprodução / Instagram / Yorkshire Wildlife Park Resort Investigação sobre a morte O Yorkshire Wildlife Park permanece fechado desde o fim de semana. O conselho municipal de Doncaster, responsável pelo licenciamento do parque, abriu uma investigação de saúde e segurança para apurar as circunstâncias da morte. Uma investigação oficial sobre a morte será aberta nesta quinta-feira no tribunal do legista de Doncaster. O procedimento deverá ajudar a esclarecer as circunstâncias que levaram Chapman a entrar no espaço reservado ao animal e qual foi a sequência dos acontecimentos antes do ataque.

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