Família de homem que morreu em Tesla em chamas com portas elétricas travadas processa montadora de Musk

 

Fonte:


A Tesla é processada por causa de um acidente em chamas em Massachusetts que matou o motorista depois que ele não conseguiu sair do veículo, no mais recente caso judicial que acusa defeitos nas maçanetas elétricas da montadora de carros elétricos do bilionário Elon Musk.

Samuel Tremblett, de 20 anos, morreu em outubro do ano passado após seu SUV Model Y colidir contra uma árvore em Easton, uma cidade a cerca de 50 quilômetros de Boston.

Depois de sobreviver ao impacto inicial, Tremblett entrou em contato com os atendentes do serviço de emergência 911 e disse que “estava preso dentro do veículo após o acidente e que o carro estava em chamas”, segundo o boletim de ocorrência. Seus restos mortais foram encontrados posteriormente no banco traseiro.

— Sem conseguir abrir as portas, o sr. Tremblett ficou preso no veículo da Tesla e morreu em decorrência de queimaduras térmicas e inalação de fumaça antes de ser resgatado — afirma a ação apresentada na quarta-feira na Justiça federal de Massachusetts.

A Tesla não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência Bloomberg.

Risco para os motoristas

Detalhes do acidente já haviam sido divulgados pela Bloomberg News como parte de uma ampla investigação sobre os riscos dos sistemas de portas elétricas, que podem falhar e prender ocupantes dentro dos veículos, especialmente após colisões.

A apuração identificou pelo menos 15 mortes em uma dúzia de incidentes ao longo da última década, nos quais ocupantes ou socorristas não conseguiram abrir as portas de Teslas que haviam batido e pegado fogo.

A Tesla enfrenta vários processos por acidentes que teriam envolvido aprisionamento relacionado às portas, incluindo casos abertos no ano passado nos estados de Washington e Wisconsin.

A empresa também foi processada em outubro por alegações de que defeitos nas portas de um Cybertruck acidentado em Piedmont, na Califórnia, transformaram o veículo em uma “armadilha mortal”, ao impedir que três estudantes universitários escapassem antes de morrerem por inalação de fumaça.

Os veículos da Tesla têm duas baterias: uma de baixa voltagem, que opera funções internas como janelas, portas e a tela sensível ao toque, e um pacote de alta voltagem, que impulsiona o carro. Se a bateria de baixa voltagem descarrega ou é desativada, as portas podem não destravar e precisam ser operadas manualmente por dentro. Embora existam mecanismos mecânicos de abertura nos Teslas, muitos proprietários e passageiros não sabem onde eles ficam nem como utilizá-los.

Escrutínio global

As maçanetas elétricas — popularizadas pela Tesla e hoje presentes em dezenas de modelos de diversas montadoras — vêm atraindo atenção global nos últimos meses. A China editou novas regras de segurança proibindo maçanetas externas ocultas e exigindo mecanismos mecânicos de abertura, enquanto reguladores europeus afirmaram que pretendem acelerar a regulamentação sobre o tema.

Em setembro, dias após a investigação inicial da Bloomberg sobre as maçanetas da Tesla, a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA, na sigla em inglês) informou que estava apurando possíveis defeitos em determinados SUVs Model Y, citando casos em que as maçanetas externas deixaram de funcionar e prenderam crianças e outros ocupantes dentro dos veículos.

Em dezembro, a NHTSA afirmou que avaliaria um pedido de investigação apresentado por um morador da Geórgia que precisou chutar a porta para sair de seu Model 3 em chamas.

Em janeiro, um parlamentar americano propôs um projeto de lei que exigiria mecanismos manuais de abertura de portas em carros novos, além de meios para que equipes de resgate tenham acesso aos veículos quando houver perda de energia.