Família de desembargador aguarda realização de autópsia para reconhecimento do corpo no IML
Após o desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), ser encontrado morto na tarde de terça-feira nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, a família agurada agora a realização de exames para retirada do corpo no Instituto Médico legal (IML). Alcides ficou mais de um mês após desaparecido no Rio. O corpo foi localizado por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, não havia sinais aparentes de violência. A perícia foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). As circunstâncias da morte ainda estão sendo investigadas.
Desembargador desaparecido é encontrado morto nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca
O que se sabe sobre a morte do desembargador encontrado na região da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca
Alcides tinha 64 anos e estava desaparecido desde o dia 14 de abril. Segundo as investigações, naquela tarde ele sacou R$ 1 mil e pegou um táxi em direção à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, um dos principais pontos turísticos da capital fluminense. Desde então, não havia mais notícias sobre o paradeiro do magistrado.
Em entrevista ao GLOBO, o irmão do desembargador, José Paulo Martins Ribeiro, afirmou que a orientação recebida pela família foi aguardar a realização dos exames previstos para esta manhã.
— Provavelmente, serão realizados agora na parte da manhã. Concluída essa parte, devo comparecer ao IML para reconhecer o corpo do meu irmão — contou José Paulo.
O caso mobilizou o alto escalão do TRF-2. Em nota, o tribunal informou que acompanhava as investigações por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que mantinha contato permanente com a Polícia Civil. A Corte também afirmou que prestava apoio psicológico aos familiares do desembargador.
Trajetória na magistratura
Alcides Martins Ribeiro Filho ingressou na magistratura federal em 1993, após ser aprovado no segundo concurso público promovido pelo TRF-2 para o cargo de juiz federal substituto da 2ª Região.
Ao longo da carreira, atuou como titular da 1ª Vara Federal de Niterói, da 41ª Vara Criminal do Rio e da 28ª Vara Federal Cível da capital. Em 2017, tomou posse como desembargador federal do TRF-2. Também presidiu a 5ª Turma Especializada e integrou o Conselho de Administração da Corte.
Antes da magistratura federal, Alcides teve passagem pelo Ministério Público de Roraima, onde exerceu funções como procurador-geral em exercício, corregedor-geral, procurador de Justiça e promotor do Tribunal do Júri.
Na área acadêmica, foi professor de Direito Processual Penal da Universidade Gama Filho e de Direito Tributário da Universidade Veiga de Almeida. Também atuou como palestrante e coordenador de seminários ligados ao Judiciário e à segurança pública.
O magistrado era doutor em Direito Público pela Universidade Estácio de Sá e mestre em Direito Administrativo pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Além disso, realizou cursos de especialização no Brasil e em Portugal e teve formação militar pela Marinha do Brasil.
Ao longo da trajetória, recebeu diversas honrarias, entre elas a Medalha do Pacificador, do Exército Brasileiro, a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio, além de condecorações como a Ordem do Mérito Naval, a Ordem do Mérito Militar e a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho.
Afastamento do cargo
O desembargador estava afastado do cargo desde maio do ano passado, após ser investigado por suspeita de agressão contra a ex-mulher. Na ocasião, ele foi levado algemado para prestar depoimento depois de resistir a uma abordagem policial. A ocorrência foi registrada após vizinhos acionarem a polícia por causa de uma denúncia de lesão corporal.
Separado, Alcides Martins Ribeiro Filho deixa três filhos: uma mulher, um homem e uma menina de 8 anos.
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