O principal desafio na construção da infraestrutura necessária para obter os benefícios da inovação — em particular, da inteligência artificial — não são os custos de construção ou manutenção dos centros de dados e da nuvem computacional, embora essas sejam pontos fundamentais.
É a falta de pessoal qualificado e suficientemente experiente para lidar com as novas tecnologias e extrair dela os resultados desejados.
Embora exista a noção de que investir em tecnologia seja caro e complexo, boa parte desse custo, hoje, é das companhias que fornecem infraestrutura na forma de serviço, disse Marco Righetti, diretor sênior de Engenharia Avançada da Oracle na América Latina.
Ele participou do Arena Impacto, promovido nesta quinta-feira (3) por Valor e Globo Rural, com apresentação da Solinftec.
A nova infraestrutura da inovação foi um dos painéis do evento, realizado no Cubo Itaú, em São Paulo, e que reuniu lideranças do mercado de agronegócios.
Ao citar um projeto de IA de um produtor de cana-de-açúcar, do qual a Oracle participou, Righetti disse que a carência de profissionais habilitados — como engenheiros e cientistas de dados — foi a maior dificuldade para implementar as mudanças, voltadas à melhoria da logística dentro da usina.
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No auge da pandemia, no início da década, a Siemens Healthineers também registrou episódio semelhante, contou Manuel Coelho, que comanda a área de inovação da companhia, especializada em equipamentos médicos.
Os algoritmos usados pela empresa são treinados pela Universidade de Princeton (EUA).
Para fazer uma triagem dos casos de covid, e ocupar os leitos de hospital com pacientes mais prováveis de ter a doença, a empresa passou a enviar as imagens de exames feitos por tomógrafo.
“Uma única tomografia de tórax envolve cerca de 400 imagens”, disse Coelho.
O gargalo do processo foi a ausência de profissionais capazes de operar os equipamentos.
Uma das mais recentes fronteiras da inovação é a IA agêntica.
Agentes digitais lembram muito os assistentes virtuais com os quais as pessoas já estão acostumadas.
Seu alcance, no entanto, é muito maior.
Agentes são capazes de analisar cenários, tomar decisões e implementá-las, eventualmente sem interferência humana.
No Brasil, disse Luis Caro, que chefia a área de inovação em nuvem e IA da Amazon Web Services (AWS), 15% das empresas que já adotaram inteligência artificial estão implementando IA agêntica.
O executivo destacou que o Brasil foi o oitavo país do mundo onde a AWS implantou um data center, “o que mostra o potencial do país”.
“Os data centers devem ser vistos como fábricas de IA”, disse Righetti, da Oracle, que ressaltou a importância dessas instalações na cadeia de inovação.
A Siemens Healthineers decidiu usar um modelo híbrido de data centers, informou Coelho.
A companhia contrata serviços de infraestrutura da AWS, mas também mantém parte dela em instalações próprias.
Com isso, afirmou, obtém as vantagens da nuvem (em que equipamentos, softwares e pessoal são terceirizados), ao mesmo tempo em que mantém dados críticos “dentro de casa”, onde podem ser acessados mais rapidamente.
Falta de pessoal qualificado barra extração de benefícios da inovação
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