Falso biomédico é preso por morte de paciente e suspeita de novos atendimentos ilegais em Curitiba
Um estudante de biomedicina, de 21 anos, foi preso preventivamente nesta quarta-feira, em Curitiba, suspeito de causar a morte de uma paciente durante procedimentos estéticos e continuar atuando ilegalmente mesmo após as investigações. Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), ele se apresentava como biomédico e dentista para atrair clientes.
De acordo com a delegada Aline Manzatto, o jovem já era investigado desde o ano passado por um caso que terminou em morte. A vítima, uma mulher de 66 anos, desenvolveu uma infecção generalizada após uma série de procedimentos invasivos — incluindo lipo de papada e aplicações faciais — e morreu em outubro, vítima de choque séptico. Mesmo após ser ouvido pela polícia, ele teria seguido realizando atendimentos.
— Ele já respondia por um caso gravíssimo e, ainda assim, continuava atuando de forma ilegal, inclusive ameaçando testemunhas — afirmou a delegada.
A prisão foi decretada com base na garantia da ordem pública e na tentativa de intimidação de testemunhas. Durante a operação, policiais encontraram uma mochila com instrumentos cirúrgicos, seringas com conteúdo desconhecido, medicamentos vencidos e até material com sangue, sem descarte adequado.
Segundo a investigação, após deixar clínicas onde atuava, o suspeito passou a atender pacientes nas próprias residências, sem qualquer condição de esterilização.
— Era uma situação já irregular, e ele conseguiu piorar. Passou a fazer procedimentos invasivos em casas, com risco alto de infecção e até morte — disse Aline.
A polícia também apura denúncias de que o estudante ameaçou uma mulher que alertou possíveis clientes sobre os riscos. O estabelecimento dela chegou a ser depredado após as intimidações.
Apesar de duas pacientes recentes não apresentarem complicações até o momento, a polícia considera que havia risco iminente de novos casos graves.
O jovem já responde por homicídio doloso qualificado, cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão. Agora, também foi autuado por uso de substâncias impróprias e de origem desconhecida, crime com pena de até 15 anos.
Ele permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça, enquanto o Ministério Público avalia o oferecimento de denúncia. A polícia segue investigando a existência de outras possíveis vítimas.
