Faíscas elétricas em árvores durante tempestade são capturadas em estudo pela primeira vez; entenda

 

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Por mais de um século, a comunidade científica suspeitou que tempestades pudessem gerar minúsculas descargas elétricas nas copas das árvores. Um estudo conduzido pela Universidade Estadual da Pensilvânia e publicado na revista "Geophysical Research Letters" conseguiu registrar as faíscas azuis espectrais, conhecidas como "coroas fantasmas".

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O que parecia impossível: o grupo liderado pelo meteorologista Patrick McFarland conseguiu capturar essas anomalias elétricas em vários galhos de diferentes espécies na copa das árvores ao longo da costa leste dos Estados Unidos durante o verão de 2024.

Pela primeira vez, esta pesquisa documentou que tempestades podem tingir copas de árvores inteiras com um brilho azul cintilante, embora muito fraco para ser percebido pelo olho humano.

Os cientistas tinham conhecimento de sua existência, mas nunca haviam conseguido observar um diretamente no meio de uma tempestade.

— Essas coisas realmente acontecem; nós as vimos; agora sabemos que elas existem. Ter finalmente provas concretas disso (...) é o que eu acho mais empolgante — comentou McFarland.

O que são as faíscas elétricas

Embora durante muitos anos os meteorologistas tenham conseguido demonstrar, pelo menos em laboratório, como se formam as tempestades naturais, nunca tinham conseguido documentá-las em tempestades elétricas reais, uma vez que isso exigia uma abordagem diferente.

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Por isso, em uma Toyota Sienna de 2013, eles equiparam o veículo com uma estação meteorológica, um detector de campo elétrico, um telêmetro a laser e um periscópio montado no teto que direciona a luz para uma câmera ultravioleta.

Com esse equipamento, os pesquisadores conseguiram detectar as coroas solares em campo com base em suas emissões ultravioleta, devido à baixa luminosidade ambiente sob um céu tempestuoso, que ofusca a luz emitida pelo espectro visível.

— Tivemos que remover um dos bancos e instalar amortecedores de vibração para que os instrumentos não se movessem durante a condução. A parte mais engraçada foi cortar um buraco de 30 centímetros no teto com uma serra tico-tico. Isso arruinou completamente o valor de revenda, mas não importa — explicou McFarland.

Após preparar todo o equipamento, os pesquisadores estavam prontos para perseguir tempestades e sabiam que não seria fácil, mas garantiram que a câmera estivesse focada em três galhos de uma árvore de liquidâmbar em Pembroke, na Carolina do Norte.

— Ficamos sentados ali, olhando fixamente para aquele vídeo enquanto a tempestade assolava o local. Você fica procurando os sinais mais sutis em uma transmissão de vídeo que não mostra nada (...) É muito difícil saber em tempo real se você está vendo alguma coisa — disse McFarland.

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Embora não pudessem ver nada naquele momento, após analisarem o vídeo, encontraram 41 coronas nas pontas das folhas ao longo de um período de 90 minutos, visto que o sinal inicial era geralmente um aglomerado de radiação ultravioleta que acompanhava o movimento dos ramos com o vento.

Segundo os pesquisadores, esses brilhos duraram até três segundos e saltaram de uma folha para outra. Além disso, os halos resultantes comportaram-se de maneira semelhante em um pinheiro-de-folha-longa.

Isso pode significar que elas costumam surgir em abundância, irradiando de dezenas a centenas de folhas em cada copa de árvore durante uma tempestade, disse McFarland.

— Se você tivesse visão sobre-humana, acho que veria essa faixa de brilho no topo de cada árvore durante a tempestade. Provavelmente pareceria um espetáculo de luzes, como se milhares de vaga-lumes com flashes ultravioleta estivessem descendo sobre as copas das árvores — acrescentou.