Fabricante de 'carro voador' rejeita título: 'não é carro voador'

 

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Apesar de popularmente chamados de “carros voadores”, os eVTOLs ainda estão longe de ser veículos que vão sair da garagem direto para o céu, como nos Jetsons e em 'De Volta Para o Futuro'. É o que defende o presidente da Eve, um braço de inovação da Embraer, Johan Bordais.

Segundo ele, os eVTOLs não são carros voadores, nem aviões ou helicópteros, mas sim uma terceira categoria:

“Não é um carro voador, nem um veículo que você vai comprar em uma concessionária amanhã e levar para a garagem. Não é algo como ‘vou para o escritório e evito o trânsito saindo de casa voando’. Ainda não. Trata-se de um veículo que voa — ou seja, uma aeronave —, mas que não é nem avião, nem helicóptero. É uma terceira categoria: um veículo elétrico, com piloto e capacidade para quatro passageiros, que decola verticalmente, faz a transição e depois voa como um avião, também de forma elétrica, e pousa como um helicóptero”, explicou.

Os chamados eVTOLs são aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical e fazem parte de uma aposta do governo brasileiro para o futuro da mobilidade aérea.

Brasil pioneiro

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o Brasil pode ser o primeiro país do mundo a ter uma operação estruturada desse tipo, com previsão de implementação do ecossistema até 2027.

A aposta foi reforçada nesta quinta-feira (19), durante a inauguração das obras de modernização do Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo.

“Eu acredito muito no grande potencial do eVTOL para o fortalecimento da aviação brasileira e da América do Sul. O Brasil, sem dúvida, pode se tornar um grande hub de desenvolvimento internacional. Tenho muita confiança de que o país será um dos primeiros do mundo a certificar o eVTOL para operações”, afirmou o ministro.

O diretor da Agência Nacional de Aviação Civil, Thiago Fairstein, destacou que o país trabalha para estruturar a certificação e permitir a operação em escala. Entre os desafios está a criação de um ecossistema urbano, com áreas adequadas para pouso, decolagem e recarga das aeronaves elétricas.

A modernização do Campo de Marte, que recebeu cerca de R$ 120 milhões em investimentos, faz parte desse contexto. O projeto incluiu a instalação de novos instrumentos de navegação, ampliação das áreas de circulação e intervenções no entorno para aumentar a segurança das operações.

Outro ponto importante é a expectativa pela implementação do sistema IFR, que permite voos guiados por instrumentos, sem dependência de visibilidade externa. Segundo o CEO da concessionária PAX, Rogério Prado, isso amplia a segurança e a capacidade operacional do aeroporto, especialmente em condições adversas, como neblina e chuva.

“Um aeroporto que opera apenas por regras visuais fica mais suscetível às condições atmosféricas. Quando você habilita a operação por instrumentos, aumenta a segurança e a capacidade operacional, mesmo em condições adversas. Com isso, você garante mais previsibilidade e confiabilidade nas operações”, explicou.

Durante o evento, o governo também lançou a primeira consulta pública sobre Mobilidade Aérea Avançada, com o objetivo de ouvir empresas e especialistas e construir as regras para viabilizar o uso dessas aeronaves no país.

Inaugurado em 1929, o Campo de Marte é hoje voltado à aviação executiva, formação de pilotos e operações de apoio, como polícia e resgate.