F-39 Gripen: Primeiro caça supersônico produzido no Brasil deve ficar pronto até março; veja imagens

 

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O primeiro caça supersônico montado no Brasil, o F-39 Gripen, deverá ser concluído até o fim de março, marcando um passo histórico para a indústria aeronáutica nacional. A aeronave inaugura a produção local de um jato de combate supersônico na América Latina e representa um dos principais marcos do programa de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB).

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O Gripen E, designação internacional do caça JAS-39E desenvolvido pela sueca Saab, é produzido na Suécia e montado no Brasil em parceria com a Embraer, na unidade de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, em operação batizada de Projeto FX-2. No total, pouco mais da metade das 36 aeronaves adquiridas pela FAB será montada em território brasileiro.

O caça-militar F-35 Gripen, da Saab

Reprodução: Saab

Segundo informou o chefe de marketing da Saab, Mikael Franzén, ao portal especializado FlightGlobal, a primeira aeronave “made in Brazil” ficará pronta ainda no primeiro trimestre de 2026, prazo que se encerra no final de março. A data é ligeiramente posterior à previsão inicial, que apontava para a entrega ainda em 2025, mas acabou revista em razão de atrasos de pagamento do governo federal e de dificuldades na cadeia global de suprimentos.

A linha de montagem instalada na Embraer é considerada estratégica pela Saab para ampliar a capacidade produtiva do Gripen. Com as atuais linhas brasileira e sueca operando em plena carga, a empresa é capaz de entregar até 36 caças por ano — número equivalente a todo o pedido brasileiro.

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A Saab estuda ainda a abertura de uma terceira linha de produção para atender eventuais grandes contratos internacionais, como os firmados junto às forças militares de nações como Colômbia, que efetuou a compra de 17 unidades, Tailândia, que adquiriu quatro aviões com opção de pedir mais oito, e Ucrânia, cujo número de aeronaves compradas não foi informado.

Caça Saab F-39 Gripen no Porto de Navegantes (SC)

Rurikdrone

No programa em curso, as produção brasileira deverá centrar esforços na fabricação dos aviões que serão enviados ao país vizinho, enquanto as aeronaves compradas pela Tailândia sairão da Suécia. No caso da Ucrânia, a produção poderá ser dividida entre os dois países.

A expectativa da FAB é iniciar em breve o recebimento dos caças montados no Brasil. O primeiro Gripen nacional alcançou a fase de montagem final em 2024, e há especulações de que a aeronave seja a de matrícula 4109, ainda não incorporada ao 1º Grupo de Defesa Aérea – Esquadrão Jaguar, sediado em Anápolis (GO). Até agora, a Força Aérea recebeu 11 das 36 aeronaves contratadas em 2014. Em 2025, chegaram dois novos F-39E, de matrículas 4110 e 4111.

A produção local é um dos pilares do amplo pacote de transferência de tecnologia previsto no FX-2. Além da montagem final na Embraer, a Saab implantou linhas de produção de componentes no país, capacitou técnicos brasileiros na Suécia e conduz ensaios e processos de certificação em território nacional. O Gripen brasileiro incorpora ainda sistemas desenvolvidos no Brasil, como o Head-Up Display e o Wide Area Display, fabricados pela AEL Sistemas, de Porto Alegre.

No fim de 2025, o programa atingiu marcos relevantes. A Operação Samaúma certificou o par F-39 e KC-390 para reabastecimento em voo. Já o exercício BVR-X, realizado na Base Aérea de Natal (RN), marcou os primeiros disparos reais do míssil de longo alcance MBDA Meteor a partir do F-39E. Outro exercício, na Base Aérea de Santa Cruz (RJ), deverá permitir que o 1º GDA assuma o alerta de defesa aérea com o novo caça a partir de sua sede em Goiás.