A Casa da Cultura de Canaã dos Carajás inaugura nesta sexta-feira (23), às 19h, a exposição “O Pará: Paisagem Transformação”. A mostra, que reúne cerca de 20 artistas, propõe ampliar o olhar sobre a paisagem paraense, abordando temas como memória, identidade, ancestralidade, pertencimento e resistência.
Com curadoria de Henrique Montagne e assistência de Yasmin Gomes, a exposição desafia a visão estereotipada da Amazônia. Ela apresenta o território como um espaço vivo, permeado por experiências humanas, conflitos e profundas mudanças sociais e ambientais.
Um novo olhar sobre a Amazônia
A proposta curatorial busca romper com a imagem da região como mero cartão-postal. Em vez disso, a mostra convida à reflexão sobre a complexidade da vida amazônica.
Memória e tempo nas lentes de Alberto Bitar
Entre os artistas visuais, Alberto Bitar explora a memória e a passagem do tempo através da fotografia. “Basicamente a fotografia na mostra trata de memória”, explica o artista.
Ele utiliza baixa velocidade do obturador e filtros físicos para criar imagens com deslocamento e alteração de tons. O objetivo é distanciar os resultados da realidade, remetendo a um outro tempo e a viagens de infância com a família.
Emily Guimarães e as transformações da paisagem
Na pintura, Emily Guimarães retoma registros fotográficos da adolescência em viagens pelo interior do Pará. Ela investiga as transformações das paisagens e sua conexão afetiva com esses locais.
“A cor e a matéria pictórica são fundamentais nesse processo, pois não busco reproduzir fielmente uma paisagem, mas reconstruir as sensações que ela me provoca”, aponta Emily. A artista usa muitos tons de azul para explorar as variações do céu, da luz e da atmosfera desses lugares.
A poesia como resistência com Roberta Tavares
A mostra também incorpora a poesia para ampliar as interpretações sobre o território. Entre as participantes está Roberta Tavares, autora de trabalhos como “Fragmento de poema”, do livro Mulheres de Fogo, “O caruana de minha avó” e “Poema para não morrer”.
Em sua produção, a palavra se conecta às referências culturais amazônicas e questiona formas utilitárias de compreender o mundo. “Não acho que a poesia seja uma tradução estrita de alguma coisa, simplesmente porque ela não cabe na concepção pragmática e utilitarista que o capitalismo tanto gosta, por isso mesmo ela subverte a lógica do capital”, afirma Roberta.
Para a poeta, a literatura permite criar novas imagens e ressignificar símbolos que atravessam gerações de artistas e escritores paraenses. Ela menciona figuras como Dalcídio, Bruno de Menezes e Tó Texeira, afirmando que “o Pará é nossa principal janela para o mundo”.
Reflexões sobre identidade e o futuro da Amazônia
O curador Henrique Montagne destaca que a exposição busca aproximar diferentes gerações e produções artísticas. O objetivo é refletir sobre “relações de identidade, de ancestralidade, de memória, de pequenas lutas e revoluções dentro dessa terra”.
A mostra convida o público a pensar nas transformações que atingem a Amazônia e nos caminhos para o futuro, questionando “o que a gente vai deixar de paisagem no futuro”.
Compromisso com a arte regional
A diretora da Casa da Cultura, Gabriela Sobral, reforça o compromisso da instituição. A iniciativa visa valorizar a produção artística regional e criar espaços de reflexão sobre as identidades amazônicas.
Serviço
Exposição: “O Pará: Paisagem Transformação” Abertura: 23 de outubro de 2026, às 19h Visitação: A partir de 24 de outubro, das 8h às 19h, exceto domingos e feriados Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás — Rua das Esmeraldas, 143, Nova Canaã II Entrada: Gratuita Informações: (94) 99220-3451 Imprensa/curadoria: Henrique Montagne — (21) 97250-7453
O Liberal