Exposição no Centro do Rio reúne 14 artistas de diferentes regiões do país com obras que exploram corpo e natureza

 

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Quem passa pelo Centro do Rio encontra, desde o último dia 26, um convite a rever ideias aparentemente estáveis. Em cartaz na Galeria Refresco, a exposição “Falácia Natural” propõe olhar para a natureza não como algo dado, mas como uma construção em disputa — atravessada por discursos científicos, imaginação e cultura. Com curadoria de Shion L., pesquisadora e coordenadora de formação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a mostra reúne obras de 14 artistas de diferentes regiões do país, compondo um panorama diverso da produção contemporânea brasileira.

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Entre os nomes participantes estão artistas do Rio de Janeiro como Andy Villela, Bernardo Liu, Gpeto, Tuca Mello, Ygor Landarin e Zé Carlos Garcia, cujas pesquisas se debruçam sobre questões ligadas ao corpo, à cidade e às imagens. O diálogo se amplia com a presença de Orsini, de Belo Horizonte, e de artistas atuantes em São Paulo, como Felipa Queiroz, Rafael Kamada, Marina Woisky e Nicholas Steinmetz.

A diversidade de trajetórias se reflete também nas linguagens e materiais. As obras transitam entre escultura, pintura e instalação, mobilizando cerâmica, madeira, fibras sintéticas e areia em composições que borram as fronteiras entre humano, animal e ambiente.

Ao longo do percurso, o visitante se depara com superfícies que evocam pele, estruturas que remetem a órgãos e formas que escapam de definições precisas. A sensação é de estar diante de algo vivo e instável, em constante transformação.

— A exposição parte da noção de hibridismo para compreender como a ciência, enquanto um discurso, acompanha a imaginação da cultura. Algo que não está fixo, mas que é constantemente produzido. Existe uma dimensão de ficção em tudo aquilo que a gente entende como natural. Nesse contexto, a produção contemporânea surge como uma via para a experimentação dessas noções — afirma Shion L.

A escolha dos artistas acompanha essa perspectiva, reunindo pesquisas que investigam materialidade, transformação e construção de sentido. Em vez de oferecer respostas fechadas, as obras funcionam como perguntas abertas sobre o que define o corpo, a vida e os sistemas que organizam essas ideias.

— Há um certo desejo na minha pesquisa, enquanto historiadora da arte, de aproximar literaturas. Acho que essa é uma maneira estranha e elucidativa de perceber como se inventa uma percepção de mundo. Quando a mitologia afeta o pensamento científico, quando as imagens afetam a escrita poética, a exposição é um espaço para investigar esse hibridismo epistemológico também — completa a curadora.

Reviver Centro

A exposição também marca um momento de expansão da Galeria Refresco. Criado em 2019 por Déborah Zapata, o espaço nasceu com uma proposta independente e experimental, inicialmente ocupando um endereço no Santo Cristo por cinco anos, com foco na abertura para novos artistas e na realização de chamadas públicas que mobilizaram centenas de interessados.

Hoje, a galeria integra o movimento de revitalização impulsionado pelo projeto Reviver Centro e avança para uma fase mais estruturada, com foco na representação e no desenvolvimento de carreira, acompanhando um processo mais amplo de profissionalização no circuito de arte contemporânea

— Enxergo o momento atual da Refresco como uma virada importante. 2026 tem sido um ano de expansão e de maior profissionalização da galeria, com fortalecimento da equipe, ampliação dos artistas representados e participação em feiras como a Arpa, em São Paulo, ampliando o alcance no circuito. A exposição se insere nesse contexto ao trazer artistas consagrados para dialogar com a programação, permitindo trabalhar com obras mais complexas e consolidando um novo ciclo mais estruturado e com maior presença no campo institucional e no mercado — diz Déborah.

Com visitação gratuita, “Falácia Natural” fica em cartaz de terça a sexta-feira, das 11h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h, propondo ao público uma experiência direta: observar, estranhar e, aos poucos, reconstruir o que parece evidente.

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