Exportação de frango do Brasil escapa de bloqueio na África do Sul após três focos de Newcastle em SC

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País decidiu não adotar restrições nacionais ao comércio avícola, mas estabeleceu exigências sanitárias para a entrada de carne fresca, ovos férteis e pintinhos A África do Sul decidiu manter as importações de carne de frango e outros produtos avícolas do Brasil, mesmo após a confirmação de três focos da doença de Newcastle no Oeste de Santa Catarina.

O país recebeu a notificação brasileira sobre o surto em 20 de outubro e informou, nesta quarta-feira (28), que não adotará restrições nacionais às compras por causa da ocorrência. A continuidade do comércio, no entanto, depende do cumprimento de exigências sanitárias específicas para cada produto.

Enquanto a África do Sul mantém as importações sob condições estabelecidas em certificados veterinários, outros países, como Malásia, México, Arábia Saudita, China e Chile, adotaram restrições de diferentes abrangências após a identificação do vírus em Santa Catarina. Os certificados sanitários veterinários negociados entre a África do Sul e o Brasil permitem a continuidade do comércio de carne de aves fresca durante um surto da doença de Newcastle, desde que os requisitos estabelecidos sejam cumpridos.

Para importar carne fresca, as aves devem ser provenientes de estabelecimentos onde não tenham sido registrados casos da doença nos seis meses anteriores. A exigência também considera um raio de 10 quilômetros ao redor das instalações de origem.

Além disso, o abatedouro e a unidade de desmancho da carne não podem estar localizados em uma zona infectada pela doença de Newcastle. A importação de ovos destinados à incubação e de pintinhos de um dia também pode continuar, mas segue critérios próprios.

Nesses casos, as granjas e as instalações envolvidas precisam estar livres da doença há pelo menos 12 meses e não podem estar situadas em uma zona infectada. A decisão sul-africana, portanto, não representa uma liberação irrestrita de todos os produtos ou estabelecimentos brasileiros.

As remessas precisam cumprir as condições sanitárias previstas nos certificados bilaterais. Enquanto a África do Sul decidiu não adotar um bloqueio nacional, outros mercados importadores estabeleceram limitações após a confirmação da doença de Newcastle em Santa Catarina.

As medidas variam conforme o país e os tipos de produtos afetados. A Malásia suspendeu as importações de carne, produtos cárneos e miúdos de aves provenientes de todo o território brasileiro.

O México também mantém uma suspensão nacional que abrange aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e determinadas categorias de aves canoras, ornamentais, de rapina e de companhia. A Arábia Saudita restringiu a entrada de carne e produtos cárneos de aves originários de Santa Catarina.

A China também limitou a importação de carne e produtos cárneos de aves catarinenses. No caso do Chile, as restrições incluem ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos que contenham carne fresca de aves.

As medidas não significam uma suspensão geral das exportações brasileiras para todos os mercados. A abrangência das restrições depende das exigências sanitárias e dos acordos comerciais de cada país.

O primeiro foco da doença de Newcastle foi identificado em uma propriedade comercial de criação de perus em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. Uma segunda ocorrência foi confirmada em Coronel Freitas e, posteriormente, um terceiro foco foi detectado em Nova Erechim durante ações de vigilância sanitária.

O novo foco envolve 9,6 mil aves, que não apresentavam sintomas da doença. Após a identificação, a área de vigilância foi ampliada em aproximadamente 9,5 quilômetros.

Em Nova Itaberaba, as medidas sanitárias foram concluídas e a propriedade entrou em vazio sanitário, período em que permanece sem aves após os procedimentos de controle e desinfecção. Em Coronel Freitas, as equipes concluíram a retirada e o enterro sanitário dos perus, enquanto os trabalhos de limpeza e desinfecção das instalações seguiram conforme os protocolos.

Entre 20 e 26 de outubro, as equipes de defesa sanitária vistoriaram 133 propriedades comerciais e 551 criações de subsistência na região. A operação também manteve quatro barreiras sanitárias em funcionamento, com fiscalização e desinfecção de veículos para reduzir o risco de transporte do vírus entre propriedades.

O trabalho de vigilância inclui visitas às criações, monitoramento das aves, coleta de amostras para análise e orientação aos produtores sobre medidas de biosseguridade. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres.

Dependendo da gravidade, pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, queda na produção e mortes. A ausência de sintomas não descarta a presença do vírus, como demonstrou a ocorrência em Nova Erechim.

Por isso, a vigilância ativa e os exames laboratoriais são importantes para identificar novos focos e orientar as medidas de controle sanitário. Victória Veiga é repórter do portal ND Mais na redação de Chapecó, de onde escreve matérias sobre o que há de mais importante no Oeste de Santa Catarina.

Acompanha e assina notícias sobre segurança pública, trânsito, agronegócio e infraestrutura, cobrindo Chapecó, Concórdia, Xanxerê, São Miguel do Oeste e cidades do Meio-Oeste e Extremo-Oeste catarinense. Formada em Jornalismo pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), atua na área desde 2024 e tem experiência em jornal impresso e digital, além de atuação na área de marketing, o que contribui para uma comunicação estratégica e multiplataforma.

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