Expo Favela 2026 destaca empreendedorismo periférico no segundo dia de evento no Rio

 

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O segundo dia da Expo Favela Innovation Rio 2026, realizado neste sábado (dia 28), no Museu do Amanhã, na região portuária do Rio, reuniu empreendedores, artistas e público em uma programação que reforça a potência econômica, cultural e criativa das periferias. Em sua quarta edição, o evento acontece até este domingo (dia 29) com a proposta de ampliar a visibilidade de negócios periféricos e aproximá-los de investidores e oportunidades de mercado.

Com uma programação dividida entre espaços como o Palco Terra, voltado a debates sobre economia e território, o Palco Lago, dedicado a apresentações culturais, além de áreas como Favela Tech, Favela Literária e Empreendedores & Startups, o evento articula cultura, inovação e negócios a partir das vivências das favelas.

Empreendedorismo das favelas aposta em inovação e impacto social

Na área de expositores, histórias de mulheres empreendedoras evidenciam como negócios nascidos nas periferias têm ampliado horizontes e gerado impacto direto nos territórios.

É o caso da empresária Jamile Souza Ferrolho, 46, fundadora de uma marca de dermocosméticos, criada na Cidade de Deus.

— É uma marca própria que une ciência dermatológica, eficácia clínica e sustentabilidade. A gente não trata só o cabelo, mas também o couro cabeludo. Esse é o nosso grande diferencial — explica.

Jamilly Ferrolho apresenta sua marca de dermocosméticos na Expo Favelas 2026

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Com pouco mais de três anos de atuação, a marca se consolida como um negócio social. Contemplada por edital da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Jamile desenvolve também um projeto de capacitação voltado para mulheres da comunidade.

— A ideia é fomentar a empregabilidade, o desenvolvimento econômico e o empoderamento feminino. Estamos iniciando uma formação em empreendedorismo para mulheres da comunidade, que vão aprender desde finanças até técnicas de venda para atuar como revendedoras — afirma.

A proposta, segundo ela, é fortalecer a economia local e ampliar o alcance da marca.

Também presente no evento, a empreendedora Tatiana Nunes, 47, leva à Expo Favela a força da moda afro centrada, criada há oito anos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

— Não é só uma loja, ela é representatividade e cultura negra. A gente não vende apenas roupa, mas mostra o nosso pertencimento e até onde podemos chegar. Falar de cultura, favela e moradores de comunidades é falar de criatividade e força — diz.

Com peças que combinam referências afro-brasileiras e indianas, a marca aposta na valorização da identidade negra e no resgate de memórias historicamente invisibilizadas.

Tatiana Nunes, empreendedora e fundadora da marca afro ao lado da sua sócia Tatiana Nunes.

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Além da loja, ela circula por feiras em diferentes regiões do Rio, estratégia que amplia o alcance da marca e fortalece a conexão com o público periférico.

Gastronomia como ferramenta de transformação

Na Rocinha, Zona Sul da cidade, a cozinheira Marinete Cunha, 49, encontrou na gastronomia uma forma de transformar realidades. Fundadora do projeto Cozinha de Mãe, ela trabalha com produção de alimentos a partir do aproveitamento integral, unindo sustentabilidade e geração de renda.

— São produtos 100% naturais, sem corantes e sem conservantes. A ideia surgiu na pandemia, quando tivemos um estalo para criar não só o produto, mas também um projeto social — conta.

A iniciativa promove oficinas culinárias em escolas e creches da comunidade, ensinando técnicas de reaproveitamento de alimentos e incentivando a autonomia financeira.

A cozinheira Marinete Cunha é uma das expositoras da Expo Favelas 2026

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— A gente busca disseminar conhecimento, porque quando a pessoa aprende, consegue enxergar novos caminhos. Muitas levam isso para casa ou para o trabalho, ampliando o impacto. Vale lembrar que o projeto não é só voltado para mulheres cis, todos podem participar — explica.