Explosão em avião da Delta pode ter ocorrido por pássaro ou falha nos componentes do motor, dizem especialistas
Um avião da Delta Airlines apresentou problema na turbina esquerda na noite deste domingo (29), no Aeroporto de Guarulhos, causando momentos de pânico entre os passageiros, que registraram o momento em que a aeronave pegou fogo. As causas do problema ainda serão investigadas e, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, podem ter sido causadas pelo mau-funcionamento de algum dos componentes do motor-reação ou pode até mesmo pela ingestão de algum pássaro ou algum objeto.
Leia mais: 'Desce isso, pelo amor de Deus', diz mulher após falha de turbina em avião da Delta
Vídeo: Explosão em turbina de avião força pouso de emergência em Guarulhos, e voo para os EUA é cancelado
O Airbus A330-323 decolou de Guarulhos com destino a Atlanta, nos Estados Unidos, por volta das 23h49. Logo em seguida, a torre de controle alertou para a presença de “fogo na asa”. O voo estava lotado, com 272 passageiros e 14 tripulantes, e ficou por 9 minutos e 12 segundos no ar, até que pousou, em segurança, no próprio Aeroporto de Guarulhos. Ninguém ficou ferido.
James Waterhouse, professor da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, explica que o ocorreu uma “falha catastrófica não contida”, em termos técnicos, porque quando a falha é contida, nenhum detrito sai do motor. As causas, porém, podem ser várias, desde uma falha nos componentes da turbina, um fenômeno chamado de “stall da turbina”, até a ingestão de um pássaro.
— Os componentes da turbina rodam em velocidade alta, algum desses componentes pode ter se separado e gerado um sobreesforço por um fenômeno chamado de “stall da turbina”, que é quando ocorre uma inversão do fluxo momentâneo da turbina. Ou pode ter sido uma falha de componente sem o “stall”, que induz esforços enormes e ocorre uma falha estrutural. Não dá para perceber se houve uma falha no stall primeiro e depois na turbina, ou se foi uma falha repentina — falou.
Entretanto, ele pondera que as aeronaves são projetadas para voar com um motor só, por isso o avião conseguiu ficar no ar por mais de nove minutos mesmo durante a falha. O protocolo padrão é queimar combustível para abaixar o peso do avião antes do pouso, e esse tipo de ocorrência, apesar de não ser comum, é amplamente treinada durante as simulações de voo dos pilotos.
— Em geral, o protocolo padrão é baixar o peso e consumir bastante combustível. Como era voo internacional, geralmente a aeronave neste caso está bastante pesada, geralmente voa-se por volta de 40 minutos para conseguir gastar bastante combustível. Mas o piloto é a autoridade máxima e tomou a decisão. Pode ser que, avaliando a situação como um todo, o piloto pode ter identificado um risco de pousar mais tarde, então ele fez uma aproximação com o aeroporto e fez um pouso excelente, estava calmo e transmitiu calma para os passageiros — diz.
Kerley Oliveira, professor da PUC Minas e especialista em segurança de voo, também destacou a atuação do piloto e disse que esse tipo de situação é “exaustivamente treinada” pelos pilotos.
— É muito prematuro para a gente fazer uma análise, mas tem algumas possibilidades observadas historicamente nesse tipo de falha. Pode ter sido uma ingestão de pássaro, bird strike como é chamado, ou pode ter sido alguma peça no motor que se soltou, mas isso é muito raro – comenta, acrescentando que a investigação sobre as causas não deve demorar muito já que a manutenção desse tipo de aeronave costuma ser “muito minuciosa”, e qualquer coisa fora do lugar será facilmente identificada.
Oliveira aponta que como os aviões são certificados para voar com um único motor, em tese ele poderia até ter passado mais tempo no ar, mas a recomendação é que o pouso ocorra o quanto antes, por segurança.
— Não é porque você pode ficar voando com um motor, com o outro com problema, que você vai ficar dando chance para o azar. Mas ninguém ficou ferido e, ao observar as imagens, é possível ver que não houve nenhum tipo de perda no voo, que estava em trajetória de subida. O peso máximo para um avião pousar é menor que o peso máximo para decolar, e o maior trabalho foi do piloto, que fez esse gerenciamento para pousar com segurança — falou.
Em nota, a Delta Air Lines informou que o voo foi cancelado devido a um problema mecânico e pediu desculpas pelo ocorrido. As causas da falha ainda serão investigadas.
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), informou que foi acionada para realizar a Ação Inicial da ocorrência.
"Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação", explicou.
