Explosão é relatada em petroleiro próximo a capital de Omã em Ormuz

Explosão é relatada em petroleiro próximo a capital de Omã em Ormuz

 

Fonte: Bandeira



A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), autoridade de segurança marítima do Reino Unido, informou que um petroleiro relatou uma explosão externa no lado de bombordo da embarcação, a 60 milhas náuticas da capital de Omã, Mascate.

Em uma publicação nas redes sociais, a UKMTO afirmou que a embarcação e sua tripulação estavam em segurança, embora o navio-tanque tenha relatado o vazamento de combustível marítimo.

A autoridade recomendou que as embarcações transitem com cautela e relatem qualquer atividade suspeita.

A informação surge após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmar que o Estreito de Ormuz será aberto 'de uma forma ou de outra' após ataques dos Estados Unidos contra alvos no sul do Irã. Segundo o comando militar americano, trata-se de uma operação defensiva destinada a proteger tropas, apesar do cessar-fogo em vigor desde abril. Mesmo com a escalada, Rubio afirmou que as negociações com Teerã continuam e que um acordo ainda pode ser alcançado nos próximos dias.

Em paralelo, ele está em uma reunião Quad, na Índia, e defendeu também o reforço da cooperação entre Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália, diante dos desafios ligados à segurança marítima e energética, especialmente, nesse contexto de crise no Golfo.

Em entrevista à RFI, o cientista político Sebastien Boussois, especialista em Oriente Médio da Universidade Livre de Bruxelas, avaliou que as declarações de Rubio levantam a hipótese de uma ação para desbloquear a região, mas pondera que a solução dificilmente será militar e, sim, deve acontecer por via diplomática.

Do lado iraniano, a tensão também aumentou nas últimas horas. O guia supremo Mojtaba Khamenei declarou, nesta terça-feira (26), que as bases americanas na região já não são mais protegidas pelos países do Golfo.

Em uma mensagem divulgada pela televisão estatal, ele afirmou que não haverá retorno à situação anterior e que os territórios da região não servirão mais de escudo para os Estados Unidos. O líder iraniano também acusa Washington de perder a influência no Oriente Médio. Pouco depois, a guarda revolucionária iraniana anunciou ter abatido um drone americano que teria entrado no espaço aéreo do país.

Irã acusa EUA de 'violação flagrante' do cessar-fogo e promete resposta

Mapa do Irã divulgado pela Marinha do país.

Reprodução

O Irã prometeu que 'não deixará nenhum ato de agressão sem resposta' após o que chamou de 'violação flagrante' do cessar-fogo pelos Estados Unidos. Os EUA lançaram o que chamaram de ataques defensivos contra o Irã, em um contexto de cessar-fogo cada vez mais instável,

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirma que o exército americano 'cometeu uma violação flagrante do cessar-fogo na província de Hormozgan nas últimas 48 horas'.

'Sem dúvida alguma, a República Islâmica do Irã não deixará nenhum ato de agressão sem resposta e não hesitará minimamente em defender a soberania do Irã', afirmou o ministério.

Antes, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter o direito de responder a qualquer violação do cessar-fogo por parte dos EUA, após o governo Trump ter lançado ataques no sul do Irã nessa segunda-feira (25).

O Comando Central dos EUA classificou os ataques como 'autodefesa' e afirmou que eles visavam 'locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas'.

A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter identificado 'caças e drones americanos invasores' em um comunicado divulgado pela mídia estatal - uma aparente referência aos ataques.

Em um comunicado, o grupo também afirmou ter abatido um drone MQ-9 quando este ativou suas defesas e também alegou ter forçado outro drone e um caça americano a 'fugir'.

Acrescentou ainda:

'A Guarda Revolucionária Islâmica alertou contra qualquer violação do cessar-fogo por parte do exército agressivo dos EUA e considera legítimo e certo o seu direito a uma resposta recíproca'.

Conforme a autoridade do governo americano, os alvos incluíram locais de lançamento de mísseis e embarcações do regime iraniano que estariam instalando minas subaquáticas.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante fala com a imprensa.

Kent NISHIMURA / AFP

As ações foram realizadas em meio ao cessar-fogo e negociações entre Estados Unidos e Irã. A guerra começou no fim de fevereiro.

Mais cedo, as autoridades iranianas haviam reportado explosões na cidade de Bandar Abbas, no litoral sul do país, onde se encontra uma importante base militar das forças aérea e naval.

Antes dos ataques, na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump afirmou que o urânio enriquecido do Irã será entregue aos Estados Unidos.

O Pentágono afirmou que foi uma ação defensiva e que vai continuar protegendo tropas americanas durante o cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.

A agência oficial de notícias do Irã classificou o bombardeio ao sul do país como uma declaração formal de guerra por parte de Washington.

O líder supremo iraniano afirmou que as potências do Golfo não serão mais um "escudo" para as bases militares americanas e que os Estados Unidos não terão mais um "porto seguro" na região.

Por causa do bombardeio americano, o preço do petróleo voltou a subir. O barril do tipo Brent, referência internacional, teve um aumento de quase 7%, saltando de 98 para 104 dólares e 52 centavos.

Apesar da ofensiva, o presidente Donald Trump reiterou que as negociações de paz com o regime iraniano estão prosseguindo bem.

Diplomatas dos Estados Unidos e do Irã participam de uma reunião de emergência na capital do Paquistão para tentar salvar o rascunho de um acordo de paz.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão desembarcou em Nova York e deve participar de um debate no Conselho de Segurança da ONU.