A tokenização de ativos no Brasil passou por uma mudança de patamar depois do Drex, projeto de moeda digital do Banco Central, afirmou nesta terça-feira (25) Lia Pedro, gerente de TI do Banco do Brasil, durante painel no Febraban Tech.
“O Banco Central deu um bom empurrão.
Existe um mundo de ativos virtuais antes e depois do Drex”, disse.
O Drex não chegou a ser lançado e passou por mudanças após as fases de testes conduzidas pelo Banco Central.
Segundo a executiva, porém, o projeto cumpriu o papel de aproximar bancos e instituições financeiras de aplicações em blockchain e tokenização.
A executiva também afirmou que a tokenização precisa estar ligada a uma dor concreta do mercado.
“A gente consegue tokenizar esse ativo? Eu devolvo a pergunta: qual dor você quer resolver tokenizando esse ativo?”, afirmou.
“Tokenizar por tokenizar não faz sentido.”
Para Lia Pedro, crédito e recebíveis estão entre os ativos mais promissores para tokenização.
Ela também citou iniciativas em renda fixa, debêntures, fundos de investimento e ativos imobiliários, mas disse que nem todos os casos de uso estão claros.
Victoria de Sá, cofundadora da Vert Capital, no mesmo painel, afirmou que a ambição do setor não deve ser “tokenizar tudo”, mas criar um ecossistema capaz de ampliar liquidez, emissão e distribuição dos ativos.
Segundo ela, o Brasil tem um ambiente regulatório que permite avanços, mas ainda precisa atrair mais investidores estrangeiros e dar mais previsibilidade sobre aspectos jurídicos e tributários.
Lia também disse que o próximo salto do setor depende da integração entre diferentes iniciativas no mesmo ecossistema.
“Quando a gente conseguir interligar todos esses produtos, a gente vai estar no ápice da evolução do setor”, afirmou.
