Existe idade limite para congelar óvulos? Entenda após relato de Sheron Menezzes

Existe idade limite para congelar óvulos? Entenda após relato de Sheron Menezzes

 

Fonte: Bandeira



Em um desabafo publicado nas redes sociais, Sheron Menezzes, de 42 anos, contou que decidiu recorrer ao congelamento de óvulos após três anos de tentativas para engravidar novamente. A atriz relatou o impacto da rotina e das escolhas profissionais nesse processo, ao comentar a dificuldade de conciliar trabalho e o desejo de maternidade.

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"Me chamaram pra um trabalho que eu fiquei muito feliz e queria fazer, mas como abrir mão de um sonho, de uma vontade muito grande que eu tenho, que é ser mãe novamente? [...] Como dar essa pausa e não perder tempo? Porque a cada mês a gente perde uma oportunidade", contou.

O procedimento, cada vez mais discutido entre mulheres que desejam postergar a gravidez, levanta também dúvidas sobre limites de idade e chances de sucesso. Segundo o especialista em reprodução humana e diretor clínico da Mater Prime, em São Paulo, Rodrigo Rosa, a idade é um fator relevante, mas não o único determinante.

"Quanto mais jovem a mulher realizar o congelamento, maior será a chance de o óvulo gerar um bebê. O ideal é que seja realizado até os 35 anos, visto que, a partir dessa idade, há uma queda acentuada não apenas na quantidade de óvulos, mas também na qualidade. Mas é possível congelar os óvulos até 41/42 anos. Após os 43, a probabilidade de o óvulo gerar um bebê é muito reduzida. Não é impossível, mas pode não valer a pena, então cada caso deve ser avaliado individualmente", explica.

O médico ressalta ainda que a avaliação da reserva ovariana e dos objetivos da paciente orienta a indicação do procedimento, muitas vezes com mais peso do que a idade isoladamente.

O congelamento de óvulos consiste na preservação dessas células em nitrogênio líquido a -196°C, em um processo que mantém o material biológico viável para uso futuro. O ciclo completo costuma levar cerca de três semanas e envolve etapas preparatórias e hormonais.

"Além de uma bateria de exames para verificar a qualidade dos óvulos, a mulher, inicialmente, deve fazer uso de pílulas anticoncepcionais por uma a duas semanas para desativar temporariamente os hormônios naturais. Mas, em casos de urgência, como antes da terapia contra o câncer, essa etapa pode ser ignorada. Em seguida, realizamos injeções de hormônios por cerca de 10 dias para estimular os ovários e amadurecer vários óvulos. É só após amadurecerem adequadamente que os óvulos são coletados, o que é realizado sob efeito de sedação por meio de uma pequena agulha que é inserida na vagina e é guiada por um transdutor até os ovários para que os óvulos sejam aspirados e congelados imediatamente", detalha.

Durante esse processo, efeitos colaterais podem ocorrer devido à estimulação hormonal, embora sejam geralmente transitórios. "Devido ao uso dos hormônios necessários para estimulação ovariana, a mulher pode apresentar sintomas como dor de cabeça, instabilidade emocional, inchaço, náusea e dor muscular. Mas esses sintomas, que são muito similares àqueles da TPM, passam com o fim da estimulação hormonal e podem ser aliviados com o devido acompanhamento médico", acrescenta.

Após o congelamento, os óvulos podem ser armazenados por tempo prolongado sem perda significativa de qualidade. Quando a paciente decide engravidar, é realizada a Fertilização in Vitro, em que o óvulo é fecundado em laboratório antes da transferência do embrião para o útero.

"Na Fertilização in Vitro, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher", afirma.

Ainda assim, o Dr. Rodrigo lembra que o procedimento não garante gestação futura, já que diferentes etapas podem influenciar o resultado: "Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo, enquanto outros podem não ser fertilizados com sucesso. A idade também é importante, visto que, apesar dos óvulos estarem congelados, a mulher continua a envelhecer e, consequentemente, terá que enfrentar as realidades da gravidez na idade que possui."

Ele enfatiza que as taxas de sucesso estão diretamente relacionadas à idade dos óvulos no momento do congelamento. "Mulheres com até 35 anos, se congelarem pelo menos 20 óvulos, têm chances de 80% de conceber pelo menos um filho. Se os mesmos 20 óvulos forem congelados entre os 35 e 37 anos, a chance de gravidez é de 65%. Já se o congelamento desses 20 óvulos for feito entre os 38 e 40 anos, a probabilidade de a mulher ter no mínimo um filho é de 55 a 60%", pontua.

Os custos do procedimento variam conforme o protocolo de estimulação, medicamentos utilizados, número de óvulos coletados, técnica empregada e tempo de armazenamento. "Os valores podem variar de clínica para clínica, mas é preciso colocar no planejamento os custos de todo o processo, incluindo as medicações, o procedimento em si, o armazenamento dos óvulos e, claro, a fertilização in vitro para quando a mulher estiver finalmente pronta para engravidar", esclarece.

Para o especialista, o planejamento individual é determinante. "Com o devido planejamento e acompanhamento, o congelamento de óvulos torna-se uma ferramenta de ampliação de possibilidades de maternidade e de liberdade de escolhas. Hoje, a mulher pode decidir quando quer engravidar, sem precisar escolher entre carreira ou família. Ela pode preservar a fertilidade enquanto constrói sua estabilidade profissional, financeira e afetiva e, mais tarde, quando se sentir pronta, utilizar esses óvulos para ter uma gravidez bem-sucedida", finaliza.