Presidente Luiz Inácio Lula da Silva Cristiano Mariz/Agência O Globo - 28/8/2026 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (17) que as exigências dos Estados Unidos para reverter o tarifaço, entre elas, a participação de “dissidentes políticos” nas eleições e a preferência por empresas americanas em projetos envolvendo terras raras, são "inaceitáveis" e já foram colocadas no "arquivo morto" pelo governo brasileiro. Lula voltou a dizer que a democracia brasileira é "intocável", mas ressaltou que mantém uma relação pessoal “boa” com seu par americano, Donald Trump.
"Esse documento não passa pela cabeça de ninguém do governo. É um documento ultrapassado", afirmou o petista, em entrevista à rádio Itatiaia nesta quinta-feira (17). Brasil rejeitou exigências eleitorais dos EUA nas negociações para aliviar tarifaço O documento com exigências ao governo brasileiro data de outubro de 2025 e foi revelado nesta quinta-feira (17) pelo jornal O Estado de S. Paulo. O Itamaraty não se manifestou a respeito. O governo americano enviou ao Brasil 21 demandas, a maioria de viés comercial, com obrigações que deveriam ser assumidas pelo governo brasileiro como contrapartida a mudanças no tarifaço, segundo a reportagem. A equipe do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu a lista em Washington, no dia 16 de outubro do ano passado, e o chanceler informou Lula sobre seu conteúdo. Em reunião posterior no Palácio da Alvorada, o governo decidiu que as exigências sobre política interna brasileira não seriam negociadas.
Na ocasião, Trump e integrantes do governo dos EUA questionavam a legitimidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou sua candidatura à Presidência em dezembro de 2025.
Ao longo da campanha, Lula tem se queixado de tentativas de intervenção americana nas eleições presidenciais. Durante a entrevista desta quinta-feira, o presidente voltou a defender a credibilidade e segurança do processo eleitoral brasileiro e convidou os líderes a acompanharem a eleição de outubro. "Quem sabe, a gente consiga introduzir o voto eletrônico em todos os países do mundo e, quem sabe, acabar com toda a bandalheira eleitoral do mundo", disse. Lula ainda vez uma provocação a Trump e disse que, se os Estados Unidos utilizassem o sistema brasileiro, os americanos não esperariam dias pela oficialização do resultado do pleito.
Lula reafirmou que os minerais críticos existentes no Brasil "são nossos". "Nós vamos explorá-los, transformá-los e vendê-los", comentou. Na quarta-feira, o presidente sancionou a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta, que tem o objetivo de transformar as reservas minerais brasileiras em uma indústria de maior valor agregado, prevê um fundo garantidor de até R$ 2 bilhões e até R$ 5 bilhões em créditos fiscais, além de ampliar o controle estatal sobre operações consideradas estratégicas.
Apesar de ter renovado as críticas ao líder americano, o presidente brasileiro disse que sua relação pessoal com Trump é Lula boa: "Eu o trato bem e ele me trata bem", resumiu.
"O Brasil não se curvará à arrogância de nenhum presidente de nenhum país do mundo. O Brasil vai fazer aquilo que é interesse do povo brasileiro. Nossa democracia e soberania não intocáveis. Aqui, ninguém põe a mão. Trump sabe disso, já falei com ele três vezes", afirmou.
O petista, então, acusou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de ser um dos principais empecilhos de sua relação com os Estados Unidos. "Acho que é ele. Parece que ele não gosta da América Latina, não gosta do Brasil. Então, ele está sempre fazendo as coisas contrárias àquilo que o Trump acerta", disse.
O presidente disse que Trump "nunca mais me respondeu" sobre a proposta de acordo entre os países no combate ao crime organizado. Ele, ainda, comentou que se colocou à disposição para favorecer a paz do país com o Irã. "O Brasil está pronto para conversar com Trump, [com o presidente da Rússia, Vladimir] Putin e [com o presidente da China,] Xi Jinping sobre qualquer assunto.
De olho na próxima semana, Lula antecipou os tópicos que deve abordar durante seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira (22). Segundo ele, "é um bom discurso que fala sobre o mundo".
Nesse tema, disse que comentará, em sua fala, sobre a economia mundial, representatividade no Conselho de Segurança da ONU, guerras e "falta de liderança hoje no mundo para tomar decisões". "As palavras mudaram, o momento político mudou", comentou, fazendo um comparativo à sua fala no evento em 2025.
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