Exército usa drone para vistoriar fronteira, enquanto guarda venezuelana aborda veículos que saem do país
A fronteira do Brasil com a Venezuela amanheceu nesta terça-feiracom reforço militar. Do lado brasileiro, militares do Exército Brasileiro passaram a empregar o uso de drone para monitorar o fluxo de migrantes e de veículos que entram no país, ampliando a vigilância aérea sobre a área de travessia e rotas próximas ao posto oficial de fronteira. Enquanto isso, na parte venezuelana, integrantes da força militar bolivariana foram posicionados a cerca de 30 metros do marco da fronteira, intensificando a fiscalização de carros que deixam o território do país.
Relato: repórter conta como acompanha situação de venezuelanos na fronteira com o Brasil
As tropas dos dois países mantêm contato visual permanente, separadas apenas pelo monumento que marca a divisão do território e exibe as bandeiras nacionais. Desde as primeiras horas do dia, todos os veículos são obrigados a parar para inspeção, enquanto o monitoramento por drone acompanha o movimento ao redor da região. Blindados do Exército continuam posicionados no local.
Repórter conta como tem acompanhado situação de venezuelanos na fronteira com Brasil
Com o reforço do Exército e das forças federais de segurança, contrabandistas passaram a buscar rotas clandestinas para escapar da fiscalização. Trilhas abertas na vegetação nativa e estradas de chão batido, conhecidas localmente como “trouxas”, tornaram-se os caminhos preferenciais para o transporte irregular de mercadorias, segundo setores de inteligência da Polícia Militar de Roraima e da Polícia Federal.
Desde a prisão de Nicolás Maduro por forças especiais venezuelanas, no último sábado, essas rotas voltaram a ser usadas com maior intensidade. No posto de Pacaraima, o reforço inclui agentes da Receita Federal, blindados do Exército e policiais federais, todos fortemente armados. Cada veículo é vistoriado com cautela: porta-malas são abertos e pessoas consideradas suspeitas precisam descer dos carros enquanto a inspeção ocorre.
O GLOBO presenciou veículos com placas venezuelanas sendo obrigados a retornar ao país de origem por transportar produtos como combustível e cigarros sem autorização para ingresso no Brasil. No sentido inverso, a escassez de alimentos do lado venezuelano tem levado moradores a tentar cruzar a fronteira com comida sem emissão de notas fiscais ou pagamento de impostos. Com o endurecimento da fiscalização, muitos passaram a transportar até mesmo compras básicas pelas rotas clandestinas, com receio de serem parados.
Além do contrabando, autoridades demonstram preocupação com o uso dessas rotas alternativas para o tráfico de drogas e com a possível fuga de integrantes de milícias bolivarianas para o território brasileiro. Um comboio da Polícia Militar saiu de Boa Vista e percorreu cerca de 200 quilômetros até Pacaraima para reforçar a segurança e ampliar a presença ostensiva na fronteira, em apoio às ações do Exército brasileiro.
