Exército oficializa Cláudia Gusmão como primeira mulher general no Brasil; saiba quem é

 

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O Exército brasileiro oficializa nesta quarta-feira a médica Cláudia Lima Gusmão Cacho como a primeira mulher a alcançar o generalato nos quase 400 anos de História da Armada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o ato de promoção da então coronel, o que abriu caminho para ela ocupar efetivamente o topo da hierarquia na instituição. O caso rompe uma barreira histórica em uma Força que só passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes nos anos 1990.

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Cláudia foi indicada ao posto em 24 de fevereiro, após votação secreta do Alto Comando do Exército. Numa cerimônia no Clube do Exército, em Brasília, nesta quarta, ela recebe a espada de general e o bastão de comando, que simbolizam a autoridade da cúpula da Força.

Casada com o general de divisão Jorge Augusto Ribeiro Cacho e mãe de duas filhas, a médica construiu a carreira em um período de início da integração da presença feminina nas Forças Armadas. Pernambucana do Recife, Cláudia tem 57 anos e é médica pediatra. Ingressou nas fileiras do Exército em 30 de janeiro de 1996, inicialmente como oficial temporária no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia. Dois anos depois, concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos na Escola de Saúde do Exército, consolidando a carreira na área de saúde militar.

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Formada em Medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE), fez residência em Pediatria no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP) e acumulou especializações na área de gestão. Possui pós-graduação em Administração Hospitalar e MBA em Gestão Estratégica de Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ao longo de quase três décadas de carreira, ocupou cargos estratégicos na estrutura de saúde do Exército. Foi chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, subdiretora de Legislação e Perícias Médicas da Diretoria de Saúde e chefiou a Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde do Comando Militar do Nordeste. Também atuou como adjunta da Inspetoria de Saúde do Comando da 9ª Região Militar.

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No comando, dirigiu o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande, duas unidades consideradas estratégicas na rede hospitalar da Força. Mais recentemente, exerceu a função de subdiretora técnica do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro.

Na formação militar, concluiu o Curso de Aperfeiçoamento na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), em 2007, e o Curso de Comando e Estado-Maior de Serviços na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), em 2013.

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Entre as condecorações recebidas estão a Medalha Militar de Prata, a Medalha do Pacificador, a Medalha Marechal Hermes de Bronze com uma Coroa, a Medalha Marechal Osório – O Legendário e a Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial, além do Distintivo de Comando Dourado.

Em 2025, o Exército Brasileiro promoveu, pela primeira vez, mulheres à graduação de subtenente, consolidando a presença feminina no topo da carreira das praças. As militares integravam a turma pioneira de 2002, formada por 16 mulheres e quatro homens. No mesmo ano, a Força passou a se preparar para outro marco: o ingresso das primeiras mulheres soldados no Serviço Militar. Ao todo, 33.720 mulheres se alistaram em 2025, e 1.010 deviam ser incorporadas ao Exército em 2 de março de 2026, ampliando a participação feminina na instituição.