Executivo chileno preso no Brasil por insultos racistas e homofóbicos em voo da Latam é desligado definitivamente de empresa pesqueira

 

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A empresa pesqueira Landes comunicou nesta terça-feira o desligamento definitivo de Germán Andrés Naranjo Maldini, cidadão chileno preso no Brasil após protagonizar um episódio de insultos racistas e homofóbicos a bordo de um voo comercial da Latam. O caso aconteceu em 10 de maio no voo LA8070, que fazia a rota Frankfurt - São Paulo.

O episódio ganhou repercussão internacional após vídeos da discussão viralizarem nas redes sociais. Ele foi detido quase uma semana depois do ocorrido, em 15 de maio, no retorno de sua viagem ao exterior para participar de uma feira internacional a trabalho. Na noite de sexta-feira, a Landes já o havia afastado “formal e preventivamente”.

Nas imagens, Naranjo aparece discutindo com um comissário de bordo e faz ofensas como “para mim é um problema ser gay”, “pele negra... cheiro de negro, de brasileiro” e “você é um macaco”.

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Após a aeronave pousar em São Paulo, o chileno foi detido pela Polícia Federal durante a escala e acabou preso pelo crime de injúria racial.

No último sábado, a Landes já havia divulgado uma nota condenando o episódio e afirmando que reunia informações para avaliar medidas internas “conforme seus protocolos internos e a legislação vigente”.

Agora, segundo fontes da companhia ouvidas pelo jornal chileno El Mercurio, os funcionários foram comunicados nesta terça-feira sobre a demissão definitiva de Naranjo. O executivo ocupava havia dez anos o cargo de gerente comercial da empresa pesqueira.

'Não era eu'

O chileno se reuniu nesta segunda-feira com seu advogado, a quem deu um depoimento desculpando-se pelas agressões verbais contra um tripulante. Maldini afirmou estar fora de si e disse que passava por tratamento psiquiátrico.

A defesa do executivo informou ter pedido à Justiça Federal avaliação da condição clínica e do estado mental de Maldini. Segundo seu advogado, Carlos Kauffmann, Maldini "faz tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, possui histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada".

Ainda de acordo com Kauffmann, as informações médicas foram levadas oficialmente às autoridades "para demonstrar que o chileno necessita de acompanhamento e avaliação especializada, independentemente da manutenção da prisão".

Segundo o advogado, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo, afirmando estar "profundamente abalado, envergonhado e arrependido". O estrangeiro também apresentou pedido público de desculpas ao tripulante envolvido no caso e aos brasileiros.

Em trecho do depoimento, ele diz "amar" os seres humanos "sem diferenças". Ao comissário de bordo que afirmou ter "cheiro de negro brasileiro", ele disse estar com a mente em "Estado alterado".

"De novo: não era eu. Queria ter a oportunidade e a permissão de escrever essa carta de próprio punho, mas, por ora, tive que pedir que meu advogado o fizesse”.

Em nota, o advogado de Maldini disse que "está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante que se sentiu ofendido".

Kauffmann relatou que Maldini lhe disse que a conduta que teve no voo "é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional".