Executivo chileno é detido por racismo em voo no Brasil: 'cheiro de negro, de brasileiro'

 

Fonte:


Um cidadão chileno foi detido na sexta-feira no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após fazer comentários racistas e homofóbicos dentro de um avião contra membros da tripulação e passageiros.

Conta de luz mais cara: com El Niño, país deve ter bandeira vermelha por mais tempo este ano

Desgaste reputacional: Suspensão da Ypê abre espaço para concorrentes, mas analistas veem força da marca para atravessar crise

Trata-se de Germán Naranjo Maldini, que atuava como gerente da Landes, uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha.

O episódio ocorreu em 10 de maio, no voo LA8070 da LATAM Airlines Group, que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha, informou a CNN Chile. A agressão do empresário começou quando ele tentou abrir a porta do avião e foi impedido pela tripulação. Ele proferiu comentários ofensivos, racistas e homofóbicos contra comissários e aeromoças.

Classe econômica menor: Companhias aéreas ampliam oferta de assentos premium para fisgar quem quer mais conforto e mordomia

Maldini foi detino no retorno de sua viagem ao exterior, após participar de uma feira internacional a trabalho. Na noite de sexta-feira, a Landes afastou “formal e preventivamente” o executivo de suas funções, informou a imprensa Chilena.

No primeiro trimestre de 2026, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) registrou alta de 19% dos casos de indisciplina em voos domésticos, na comparação com os primeiros três meses do ano passado.

Novas regras que começam a vigorar em setembro preveem multa de até R$ 17,5 mil a passageiros aéreos indisciplinados e até mesmo o banimento dos aeroportos por 12 meses, conforme a gravidade da ocorrência.

Ofensas diversas

No dia do ocorrido, dentro do avião da Latam, uma pessoa gravou um vídeo do comportamento de Maldini que viralizou nas últimas horas, no qual podem ser ouvidos os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação.

Initial plugin text

— Ele é gay contra mim — disse inicialmente.

— Qual é o problema?— perguntou uma comissária.

E o chileno, que insistia em afirmar que tinha um problema com o funcionário da companhia aérea, respondeu:

— Ninguém tem problema nenhum, ele tem problema comigo. Os gays já basta serem tão... tão... — disse sem conseguir completar a frase, em meio a um ataque de raiva.

Depois complementou:

— É um problema para mim ser gay.

A agressão continuou diante da indignação do restante da tripulação, desta vez com comentários racistas:

— A pele negra. O que mais... o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro.

Uma das comissárias a bordo afirmou ao viajante: “Vamos desembarcar, porque você está incomodando, agredindo”. Mas ele respondeu de forma desafiadora:

— Uh, que medo — disse, depois olhando para outra pessoa: — Esse aí eu não conheço. Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores — provocou para, em seguida, fazer sons semelhantes aos de um macaco.

As vítimas registraram denúncia junto à Polícia Federal, o que deu início a uma investigação que terminou com uma ordem de prisão preventiva contra Maldini emitida pela Justiça Federal.

A Latam informou que Maldini foi detido na última sexta-feira no Aeroporto de Guarulhos, quando retornou ao Brasil para fazer conexão em seu voo, informou a CNN Brasil.

O veículo local afirmou que o empresário compareceu perante o juiz em uma audiência de custódia no mesmo dia e, posteriormente, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde permanece à disposição da Justiça.

Afastado do cargo

Após os fatos, a Landes divulgou um comunicado no qual repudiou a conduta de seu funcionário. “A Landes condena de maneira categórica e sem nuances qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia. Esse tipo de conduta é absolutamente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que rege todos os colaboradores da empresa”, afirmou a companhia.

No documento, a empresa pesqueira esclareceu que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que não havia sido notificada da prisão antes de ela se tornar pública.

A Latam também divulgou um comunicado condenando o incidente. “A Latam condena energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”, afirmou a companhia.

E continuou: “Por isso, a empresa está cooperando plenamente com a Polícia Federal no caso do passageiro que cometeu um ato de violência discriminatória contra um membro de sua tripulação no voo LA8070 em 10 de maio e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio. A LATAM também esclarece que está oferecendo apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima dessa violência”.

Crime com punição no Brasil

Desde 2023, o Brasil equiparou a injúria racial ao crime de racismo, com endurecimento das penas: o crime tornou-se imprescritível e inafiançável na esfera policial.

A legislação prevê penas de dois a cinco anos de prisão, além de multas. Também em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que insultos homofóbicos também são puníveis com pena de prisão.

O caso de Maldini ocorre pouco tempo depois do episódio envolvendo a advogada argentina Agostina Páez, que foi processada por fazer gestos imitando um macaco em direção a funcionários de um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro.

A mulher permaneceu três meses em prisão domiciliar no Brasil até que a Justiça local decidiu retirar sua tornozeleira eletrônica, devolver seu passaporte e exigir o pagamento de uma fiança de aproximadamente US$ 20 mil para permitir sua saída do país. Foi exigida ainda a fixação de um endereço na Argentina para futuras notificações.