Excentricidade de looks nas pistas de esqui: funcionalidade ou lacração? Especialistas opinam
O sucesso dos uniformes na Abertura e no Encerramento da Olimpíada de Inverno, que teve fim no último dia 22, na Itália, deixou claro: não há obstáculos para a ousadia fashion no gelo. Não por acaso, nesta temporada de frio no Hemisfério Norte, influenciadoras de moda estão transformando as pistas de esqui em vitrine, deixando para trás o visual técnico tradicional e apostando em roupas com cores vibrantes, volume extra e tecidos nada discretos, incluindo até saias para deslizar na neve.
Pesquisadora e analista de moda, Paula Acioli afirma que o mercado está atento. “Moncler, Armani, H&M, Perfect Moment e até a carioca Farm são algumas das marcas que têm investido em propostas de roupas de esqui mais ousadas, mas sempre visando funcionalidade e segurança”, afirma. Há também a percepção de que tudo virou performance em tempos de lacração nas redes sociais.
Em passagem pela estação de Val d’Isère, nos Alpes Franceses, no mês passado, a influenciadora brasileira Lívia Nunes surpreendeu ao eleger uma saia da grife Raxxy e um casaco inflável da marca Tabbe para esquiar. “Os designers que escolhi são extremamente cuidadosos e pensam a funcionalidade como parte essencial do processo criativo”, comenta a mineira, de 26 anos, que esquia desde a infância. “Claro, algumas produções são mais conceituais, mas ainda existe um respeito pelo uso real da roupa.” A it-girl albano-americana Aureta Thomollari é outro nome que aposta alto no estilo maximalista para o esporte.
Aureta Thomollari
Reprodução/Instagram
O status de alto luxo dos esportes de inverno também explica o movimento, de acordo com o especialista em branding Fábio Monnerat. “O universo do esqui se tornou a grande sensação midiática, serve para mostrar que a pessoa faz uma ‘coisa de rico’. As influencers querem ir para a neve e criar conteúdo com o estilo high-fashion.”
Joana Nolasco, criadora de conteúdo, consultora de varejo, e exímia esquiadora, tem uma visão mais crítica deste modismo. “A pergunta que não quer calar é: onde as pessoas arrumam essas roupas, e para que servem, afinal? Porque andar na neve com elas não dá. Muito menos esquiar. Parece que há um airbag acoplado. Até onde vale um look?”, questiona.
O hype, nem sempre, compensa.
