Ex-vereadora do Rio Luciana Novaes tem protocolo de morte cerebral acionado

 

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A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro divulgou, na noite desta segunda-feira, uma nota de pesar após o acionamento do protocolo de morte cerebral da ex-vereadora Luciana Novaes (PT), de 42 anos. Ela ficou conhecida após ser atingida por uma bala perdida, em 2003, enquanto estava no campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio.

Episódio definidor em sua vida, o caso a deixou tetraplégica, dependente de ventilação mecânica e com apenas 1% de chance de sobreviver, segundo o diagnóstico à época. Ainda assim, Luciana superou as adversidades, adaptou-se à nova realidade, retomou os estudos, formou-se em Serviço Social e concluiu uma pós-graduação em Gestão Governamental.

Em 2016, foi eleita vereadora do Rio, destacando-se como a parlamentar com mais leis aprovadas em seu primeiro mandato, além de acumular mais de 150 fiscalizações.

Já em 2020, sem poder fazer campanha nas ruas por integrar o grupo de risco durante a pandemia, obteve 16 mil votos e ficou como primeira suplente.

Dois anos depois, candidatou-se a deputada federal, obteve mais de 31 mil votos — sendo a segunda mulher mais votada do PT no estado — e ficou como segunda suplente. Em 2023, retornou à Câmara Municipal como vereadora, ao assumir a vaga de Tainá de Paula (PT). Com o retorno da titular ao cargo, voltou à condição de suplente.

A Câmara destacou que Luciana “foi mais do que uma parlamentar atuante” e a definiu como um símbolo de “perseverança e superação”. Segundo a nota, mesmo diante de uma das maiores adversidades, ela encontrou forças para reconstruir a própria vida e se dedicar ao serviço público “com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa”.

O texto também ressalta que a ex-vereadora deixou um legado de quase 200 leis voltadas à inclusão e à defesa de pessoas com deficiência, idosos e populações em situação de vulnerabilidade, destacando ainda que sua atuação, marcada por uma “voz firme” e “escuta generosa”, fez diferença na vida de milhares de cariocas.

Nota de pesar da Câmara de Vereadores do Rio, na íntegra

"Em virtude do acionamento do protocolo de morte cerebral da vereadora Luciana Novaes (PT), o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlo Caiado (PSD), manifesta profundo pesar pelo falecimento da parlamentar, uma mulher que transformou a própria dor em propósito e fez da sua trajetória um exemplo permanente de luta, coragem e amor ao próximo.

Luciana, que tinha 42 anos, foi mais do que uma parlamentar atuante. Foi símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de uma das maiores adversidades que alguém pode enfrentar, encontrou forças para reconstruir sua vida e se dedicar ao serviço público com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa.

Ao longo de sua atuação, deixou um legado consistente de quase 200 leis, sempre voltadas para a inclusão, a defesa das pessoas com deficiência, dos idosos e da população em situação de vulnerabilidade. Sua voz firme e sua escuta generosa fizeram diferença na vida de milhares de cariocas, olhando não apenas para a cidade, mas para cada indivíduo que precisava ser visto, acolhido e respeitado.

Sua história, marcada por fé, resiliência e propósito, seguirá inspirando gerações. Luciana mostrou, na prática, que limites não definem destinos quando há vontade de transformar o mundo ao redor.

Neste momento de dor, a Câmara Municipal se solidariza com familiares, amigos e toda a equipe de seu mandato. O Rio de Janeiro perde uma grande mulher, mas seu legado permanece vivo, na memória da cidade e no coração de todos que foram tocados por sua trajetória."