Ex-vereador Milton Leite presidiu a Câmara 6 vezes e ficou 27 anos como parlamentar

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Fonte da notícia: Valor Valor

Um dos alvos da operação da Polícia Civil nesta quinta-feira, o ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é uma das figuras mais emblemáticas da política paulistana. Parlamentar por 27 anos (de 1997 a 2024) e presidente da Câmara Municipal em seis ocasiões, quatro delas consecutivas, ele acumulou influência na política local e ajudou a emplacar os filhos na vida pública.

Paulistano de Piraporinha, na zona sul da capital, tem 70 anos, é presidente do União Brasil em São Paulo e presidente estadual da federação União-Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP). Quando jovem chegou a ser filiado ao PCB e ao MDB, pelo qual cumpriu dois mandatos. Estreou como vereador em 1997, no governo de Celso Pitta, e, em 2008, se filiou ao DEM (hoje União Brasil). De lá para cá, passou por sete outros prefeitos, sempre acumulando poder, influência e votos. Em 2020, chegou a ser o segundo vereador mais votado da cidade, com 132.716 votos.

O poder crescente de Leite na Câmara foi turbinado com a ascensão de João Doria (então no PSDB), que assumiu a prefeitura em 2017. Novato na política, o empresário entregou ao vereador a sua articulação política na Casa. Leite foi eleito presidente pela primeira vez, e reeleito para 2018.

Foi sob o comando de Leite que a Câmara expandiu a reeleição para o comando da Casa, primeiro para duas reeleições e depois permitindo de maneira ilimitada. A medida foi apresentada pela própria Mesa Diretora e aprovada por 46 dos 55 vereadores.

Em 2020, declarou à Justiça Eleitoral bens avaliados em R$ 3,6 milhões – sendo R$ 150 mil em espécie. Por anos, foi o vereador com a campanha mais cara em São Paulo.

O ex-vereador Fernando Holiday (PL), que ocupou uma cadeira na Câmara com Leite, afirma que teve uma relação instável com o ex-chefe do Legislativo. “Houve momentos em que votamos parecido como nas privatizações e na reforma da previdência municipal da qual fui relator. Mas também vivemos momentos tensos, como quando rasguei minha ficha de filiação ao antigo DEM na tribuna e diante dele, devido a posicionamentos do partido quanto à regulamentação de app de transporte em 2020”, lembra.

Apesar disso, Holiday conta que Leite tinha um perfil conciliador. “Ele sempre ouvia todos os lados e era muito aberto ao diálogo. Mas também sabia usar o regimento como ninguém nos casos em que o acordo não era possível”, diz.

A partir de 2023, com a chegada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Palácio Bandeirantes, o ex-vereador perdeu cargos no governo estadual, além de carregar mágoas com o então secretário de Governo de Tarcísio, Gilberto Kassab (PSD), que não apoiou Leite para presidir a Câmara Municipal em 2010, quando Kassab era prefeito.

Em 2024, Leite já havia sido implicado em investigações sobre transporte público em São Paulo. Ele foi um dos alvos da Operação Fim de Linha, investigado por suposta relação com a empresa de ônibus Transwolff. A companhia é acusada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) de lavar dinheiro para o PCC.

Quando o jornal 'Folha de S.Paulo' também revelou que a Justiça autorizou a quebra de seu sigilo fiscal e bancário, Leite disse que queriam assassinar a reputação dele.

Também em 2024, Leite tentou se impor como candidato a vice na chapa do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que buscava a reeleição. Ele foi preterido pelo coronel Mello Araújo (PL) e, com isso, anunciou sua aposentadoria da vida pública. Ele emplacou Ricardo Teixeira (União Brasil), como sucessor no comando da Casa.

Milton Leite tem dois filhos na política: o deputado federal Alexandre Leite (União Brasil-SP), que atualmente concorre a deputado estadual; e o deputado estadual Milton Leite Filho, conhecido como Miltinho (União Brasil-SP), que tenta a reeleição.

A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil de São Paulo, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, cumpriu 13 mandados de prisão e 18 de apreensão. Além de Milton Leite, entre os alvos dos mandados de prisão temporária estão o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira e o candidato a deputado federal Danilo Morgado (PL). Outros supostos intermediários de interesses do PCC e advogados também estão na lista das pessoas com prisão decretada.

Ex-presidente da Câmara de SP não foi encontrado pela polícia e é considerado foragido. Leite negou as acusações feitas contra ele e disse que vai se apresentar em até 24 horas às autoridades. "Nego veementemente todas as acusações. Estou ausente porque me encontrava em viagem. Vou me apresentar dentro do período de 24 horas às autoridades competentes", afirmou ao Valor. Ele disse que está trabalhando em sua defesa e qualquer relação que seja feita entre ele e o PCC é "pura ilação". "Não tenho relação nenhuma com o PCC", reforçou.

O deputado Alexandre Leite publicou um vídeo nas redes sociais depois da operação ser deflagrada. Ele disse que junto com o irmão Miltinho, foi pego de surpresa e classificou a decisão como “covardia”. “Como filho é muito triste a gente ver o pai de 70 anos sofrer um tipo de constrangimento desse tipo às vésperas da eleição”, comentou.

Holiday disse que a situação é muito grave para Milton Leite, mas afirmou não achar que a investigação pudesse ocorrer agora. “ Como ele foi vereador por quase três décadas e nunca havia sido alvo de investigações, muito menos de ordem de prisão, não achei que algo do tipo pudesse ocorrer agora. Ainda estou surpreso com tudo isso e aguardando as explicações do vereador. Milton Leite Yuri Salvador/ Rede Câmara

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