Ex-presidente dos EUA Joe Biden entra com ação contra o governo para barrar divulgação de gravações de entrevistas

Ex-presidente dos EUA Joe Biden entra com ação contra o governo para barrar divulgação de gravações de entrevistas

 

Fonte: Bandeira



O ex-presidente dos EUA Joe Biden entrou com uma ação contra o Departamento de Justiça para impedir a divulgação de conversas realizadas com o escritor responsável por um de seus livros de memórias, e que estão prestes a serem entregues a uma comissão da Câmara e a uma organização conservadora. O democrata alega que os diálogos contêm “informações privadas” e potencialmente embaraçosas.

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Nos últimos meses de seu mandato como vice-presidente, Biden foi entrevistado em diversas ocasiões por Mark Zwonitzer, que trabalhou como “ghostwriter” (autor contratado para escrever em nome de outra pessoa) na elaboração do livro “Promessa de Pai”, lançado em 2017. As conversas giravam em torno de seu filho Beau, morto em 2015 vítima de um câncer, afirmam os advogados, e eventos dos tempos na Casa Branca.

“Todo americano, incluindo um vice-presidente em exercício ou ex-vice-presidente, tem direito à privacidade nas conversas pessoais que mantém dentro de sua própria casa. E quando o Departamento de Justiça dos EUA obtém essas informações privadas por meio de uma investigação criminal, o Departamento tem a responsabilidade específica de protegê-las contra divulgação”, escreveram os advogados de Biden na petição.

Em 2023, as gravações foram entregues ao promotor Robert Hur como parte de uma investigação sobre o possível mau uso de informações e documentos confidenciais por parte do então presidente — em paralelo a um inquérito similar contra Donald Trump, à época um ex-presidente que tentava desesperadamente voltar ao poder, e hoje arquivado.

US President Joe Biden and US Vice President Kamala Harris attend an event on gun violence in the East Room of the White House in Washington, DC on September 26, 2024. Former US vice president Kamala Harris said it was "recklessness" to let Joe Biden run for a second term as president, in an excerpt released on September 10, from her upcoming memoir.

SAUL LOEB / AFP

Hur conversou com Biden por mais de cinco horas em 2023, e em relatório divulgado no ano seguinte afirmou que não havia evidências de que o democrata tenha feito uso indevido das informações, ao mesmo tempo em que o descreveu como um “senhor idoso, simpático e bem-intencionado, com problemas de memória”. O documento foi divulgado em fevereiro, e serviu de argumento adicional para os que queriam que desistisse de concorrer à reeleição, o que ele fez em julho, cedendo o lugar à sua vice, Kamala Harris.

Até o começo do ano, o Departamento de Justiça vinha negando todos os pedidos para a divulgação das gravações, mas em fevereiro anunciou que cederia “certas gravações de áudio e transcrições, com redações limitadas” à Heritage Foundation, uma organização conservadora por trás do ideário conhecido como Projeto 2025, que guia o governo Trump. No mês seguinte, os advogados do ex-presidente receberam a notícia de que a Comissão do Judiciário da Câmara também pediu as gravações e transcrições, incluindo do depoimento a Hur, e que o departamento pretende liberá-las. Se não houver decisão contrárias, elas serão entregues em junho.

"O Departamento de Justiça de Joe Biden tentou esconder gravações de áudio que demonstram claramente um declínio significativo em suas capacidades cognitivas já em 2016", disse a porta-voz do Departamento de Justiça, Natalie Baldassarre, em um comunicado. "Lutaremos para garantir que o povo americano possa ouvir essas gravações e tirar suas próprias conclusões sobre a acuidade mental do ex-presidente antes de ele se candidatar à presidência."

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Os advogados de Biden acusam o Departamento de Justiça de se recusar a censurar as gravações e transcrições, argumentando que “eram necessárias para proteger adequadamente os interesses de privacidade do presidente Biden e de terceiros”. A Heritage Foundation e o Partido Republicano afirmam que a divulgação completa é necessária para comprovar o “declínio mental” do democrata antes de chegar à Presidência, uma alegação levantada com frequência por Trump.

— Acho importante que o povo americano saiba exatamente onde o Presidente dos Estados Unidos esteve. Gostaríamos de ver todas essas informações, para deixar claro o que os democratas estavam tentando esconder há poucos anos — disse o deputado republicano Jim Jordan, citado pela rede CNN.