Ex-presidente do Rioprevidência é preso em ação conjunta da PF e da PRF

 

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O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira em ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A prisão aconteceu em Itatiaia e ele está sendo encaminhado para adelegacia da PF em Volta Redonda, no Sul Fluminense, de onde deve seguir para a sede da corporação no Rio. De acordo com informações preliminares, Deivis — que estava fora do Brasil — chegou na manhã desta terça-feira no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, alugou um carro e estava na Via Dutra em direção ao Rio quando foi interceptado por agentes da PRF.

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A prisão foi determinada pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro como parte da segunda fase da Operação Barco de Papel tendo como base o risco de ocultação de provas e obstrução das investigações. Foram expedidos ao todo três mandados de prisão e há ainda dois foragidos cujas idebntidades não foram confirmadas pela PF. Os policiais cumprem ainda nove mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados no Rio e em Santa Catarina.

A primeira fase da Operação Barco de Papel foi deflagrada em 23 de janeiro e mirou diretores do Rioprevidência no âmbito das investigações sobre investimentos do fundo previdenciário fluminense no Banco Master. Na época, o ex-presidente da autarquia estava fora do país, em viagem aos Estados Unidos, segundo informações da PF. Após a operação, ele renunciou ao cargo no mesmo dia tendo sua exoneração publicada pelo governo a seguir. Também são investigados o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal.

Após primeira fase da operação, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas no apartamento do investigado como a retirada de documentos. A polícia monitorou ainda a manipulação de provas digitais e identificou a transferência de dois veículos de luxo para terceiros.

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Divulgação Polícia Federal

Na primeira operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Rio, com diligências na sede da autarquia, no Centro, e em residências em Botafogo, Gávea e Urca, na Zona Sul. Foram apreendidos veículos de luxo, dinheiro em espécie, eletrônicos e documentos.

A investigação da PF foi aberta em novembro de 2025 e mira nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Master. 

A operação ocorre três meses após o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) apontar uma “notável coincidência” entre a mudança na cúpula do Rioprevidência e o início dos investimentos no Banco Master.

Divergência de valores e alerta ignorado

O governo do estado afirma que aplicou R$ 960 milhões em letras financeiras do Master. Já o TCE inclui no cálculo investimentos em fundos administrados pelo banco e por sua corretora, elevando o valor para R$ 2,6 bilhões. Parte relevante, segundo o tribunal, não teria cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O governo, por sua vez, sustenta que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido.

Em ofício enviado ao TCE, Deivis Antunes declarou que o credenciamento do banco começou no início de 2023 e teria sido concluído em 4 de outubro. Segundo ele, o Master mantinha uma relação “longa e adimplente” com o estado.

O que dizem os alvos:

Deivis Marcon

"O Rioprevidência esclarece que, em caso de ausência do Diretor-Presidente, a presidência da Autarquia é exercida pelo Diretor de Administração e Finanças, conforme previsto no Regimento Interno da Autarquia.

O Rioprevidencia informa ainda que o Diretor-Presidente, Deivis Marcon Antunes, encontra-se oficialmente em período de férias, previamente programadas desde novembro de 2025, nos termos das normas internas vigentes."

Rioprevidência

"O Rioprevidência informa que todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle.

O Rioprevidência destaca ainda que está resguardado por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pela autarquia. A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio.

Dessa forma, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos.

A autarquia reforça também que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários.

O Rioprevidência informa ainda aos segurados que a prestação de serviços acontece normalmente, e o calendário de pagamentos permanece sem qualquer alteração."