Ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad também morreu em ataque, diz agência estatal

 

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O ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad foi morto em um ataque aéreo em Teerã, capital do país, durante os bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel neste sábado (28). A informação foi confirmada pela agência estatal iraniana ILNA.

Ahmadinejad governou o país entre 2005 e 2013, com um mandato marcado pela repressão violenta a protestos após a reeleição, em 2009, e por tensões com o Ocidente em torno do programa nuclear iraniano. Segundo a agência, o político conservador morreu em casa, na zona leste da capital iraniana, junto com os guarda-costas.

Domingo de bombardeios

O Irã anunciou retaliação pela morte do líder supremo Ali Khamenei e voltou a atacar com mísseis e drones países do Oriente Médio que abrigam bases americanas. O país também foi bombardeado por Israel, que afirmou ter como alvo o 'coração de Teerã', a capital iraniana.

Ao menos nove pessoas morreram em Israel após um míssil iraniano atingir áreas residenciais e comerciais de uma cidade a cerca de 30 quilômetros de Jerusalém. Outras 28 ficaram feridas, segundo o balanço mais recente. Com isso, desde o início do conflito, no sábado, 11 israelenses foram mortos.

Do lado iraniano, os números também subiram. Segundo dados divulgados pela imprensa estatal, são 201 mortos e mais de 700 feridos no total. Dentro disso, 57 morreram por causa dos novos bombardeios. Israel afirmou neste domingo que realiza “ataques intensivos” contra alvos do regime iraniano.

Sucessão de Ali Khamenei

Na política, o Irã formalizou a transição de poder. O aiatolá Alireza Arafi foi nomeado para integrar o Conselho de Liderança Provisório, ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário, até que seja escolhido o sucessor de Khamenei. O ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi afirmou em entrevista à rede Al Jazeera que o novo líder pode ser definido “em um ou dois dias”.

O chanceler também negou que o Irã tenha intenção de fechar o Estreito de Ormuz, e disse que não pretende adotar medidas que prejudiquem a navegação internacional. Segundo ele, os ataques iranianos fora de Israel têm como alvo bases militares dos Estados Unidos, e não as nações em si.

Autoridades iranianas afirmaram que, como não podem atingir alvos em território americano, miram instalações utilizadas pelas forças dos EUA na região. Com isso, países do Golfo Pérsico foram atingidos, incluindo Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Omã, além do Iraque. Líderes dessas nações vão discutir uma resposta unificada em reunião neste domingo, segundo a Agência France-Presse.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que lançou quatro mísseis contra um porta-aviões americano. Até o momento, as Forças Armadas dos Estados Unidos não comentaram a declaração.

Impactos na economia

Com os ataques numa região estratégica para o mercado de petróleo mundial, há atenção para o impacto no comércio e nos preços do barril. Pelo menos 150 navios-tanque permanecem parados na região do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

A Opep+ anunciou aumento maior do que o previsto na produção, enquanto os Estados Unidos descartaram, por enquanto, recorrer à reserva estratégica, segundo o Financial Times.

Repercussão

No campo diplomático, o presidente do Irã falou em 'declaração de guerra' e prometeu retaliação. A Rússia classificou a morte de Khamenei como violação do direito internacional, e a Coreia do Norte chamou os ataques de 'agressão ilegal'.

Já o presidente Donald Trump afirmou que as operações continuarão. A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, declarou que mantém contato com líderes do G7 e com países do Oriente Médio na tentativa de conter a escalada.