Ex-presidente do Detro exonerado por Ricardo Couto ganha cargo em gabinete de Alan Lopes na Alerj

 

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Exonerado nesta semana do comando do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), Raphael Silva Salgado foi nomeado nesta sexta-feira como chefe de gabinete do deputado estadual Alan Lopes (PL) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A mudança foi publicada no Diário Oficial e ocorre em meio às mudanças promovidas pelo governo estadual na estrutura da autarquia responsável pela fiscalização do transporte intermunicipal de passageiros.

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Salgado deixou a presidência do Detro-RJ, a pedido, na última quarta-feira, após uma série de alterações conduzidas pelo governador em exercício Ricardo Couto. A troca foi interpretada nos bastidores do Palácio como parte de uma “limpa” administrativa no órgão, que passa por um processo de reestruturação.

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O Detro-RJ é responsável pela regulamentação e fiscalização do transporte rodoviário intermunicipal em todo o estado, incluindo linhas de ônibus, vans e transporte complementar. A reformulação, segundo pessoas próximas a Couto, prevê mudanças na gestão e na organização interna da autarquia.

Ex-presidente do Detro ganha cargo na Alerj

Reprodução

Dois dias após a exoneração, Salgado foi acomodado no gabinete de Alan Lopes, deputado que recentemente foi escolhido relator da comissão especial criada pelo presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), para acompanhar e fiscalizar os gastos da máquina pública estadual.

Nos últimos quatro anos, o técnico esteve na linha de frente da fiscalização do setor como presidente da comissão responsável por apurar irregularidades cometidas por permissionários do transporte complementar intermunicipal de passageiros.

Além da atuação em campo e na corregedoria, Salgado teve papel ativo na burocracia do estado. Ele participou diretamente da formulação de texto e do apoio técnico para mais de 15 portarias e decretos que regulamentam o sistema de transportes fluminense. Entre as principais atividades exercidas está a elaboração passagem pela presidência da comissão que elaborou a licitação do transporte rodoviário intermunicipal.

Alvo do TCE

Na última sexta-feira, o Detro foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que suspendeu uma licitação do órgão no valor de R$ 31,7 milhões para a implementação de um sistema de fiscalização e monitoramento de frota de ônibus intermunicipais. O processo havio sido organizado na gestão de Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo no dia 23 de março.

O secretário de transportes do município do Rio, Jorge Arraes, debateu com o presidente do DETRO, Raphael Salgado, ao lado do ônibus

Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

A suspensão foi um pedido da Secretaria-Geral de Controle Externo. O conselheiro Marcelo Verdini Maia acatou a solicitação e determinou a medida cautelar. Problemas como falta de transparência e falhas de planejamento, questões que poderiam impactar a competitividade entre as empresas concorrentes e causar prejuízos ao erário, foram algumas justificativas apontadas pelo TCE.

Planilha de cargos

A mudança ocorre em meio à série de exonerações promovidas pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que assumiu o governo no dia 24 de março, após renúncia de Cláudio Castro. Desde então, mais de mil servidores comissionados já foram exonerados. O objetivo é a redução de despesas.

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Até a saída de Cláudio Castro, o Detro, assim como outros órgãos do governo, sofria grande influência de deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), como do ex-deputado e ex-presidente da Casa Rodrigo Bacellar, atualmente preso por vazar uma operação contra o Comando Vermelho.

Em fevereiro, a Polícia Federal encontrou uma planilha no computador do chefe de gabinete de Bacellar listando cargos na estrutura do governo estadual que teriam indicações de parlamentares da Alerj. Os pedidos teriam sido feitos diretamente a Bacellar, então presidente da Casa.

O arquivo listava nomes de deputados com anotações sobre “o que tem”, indicando cargos que já tiveram as indicações efetivadas, e "pedido", sugerindo interesses na estrutura administrativa e política do estado do Rio. Um dos alvos era o Detro em Campos.

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