Ex-presidente do BRB mostrou preocupação com ‘quebra’ do Master, indica anotação apreendida pela PF
Uma anotação apreendida pela Polícia Federal (PF) no BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, revela a preocupação com uma possível quebra do Master por parte do ex-presidente da instituição estatal Paulo Henrique Costa.
A inscrição fazia referência à uma reunião para discutir a compra de carteiras de crédito da instituição privada pelo banco público. A anotação foi citada durante depoimento de Paulo Henrique à Polícia Federal (PF), no fim do ano passado.
No depoimento, a PF questiona sobre a anotação. O texto dizia, segundo a PF: "Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar".
A anotação foi apreendida pela PF em novembro do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Compliance Zero, dois meses após o Banco Central ter rejeitado a venda do Master para o BRB. A compra de carteira do Master vinha ocorrendo desde o segundo semestre de 2024. Durante a análise do processo, o BC apontou suspeita de fraude em volume de R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB e determinou a substituição dos ativos.
Indagado pela PF sobre a anotação, Costa disse que a sua declaração “não seria uma afirmação de salvamento”.
“O que estava acontecendo nesse momento era a substituição de carteiras e a gente precisava, sim, ganhar tempo para que aquela substituição de carteira acontecesse", afirmou.
Segundo trecho do depoimento, Costa acrescentou: "No meu papel de zelar pelo BRB, eu precisava ganhar tempo para que a gente pudesse substituir as carteiras".
Em outro trecho do depoimento, Costa deu explicações sobre o negócio com o Master. Ele disse que quando assumiu o BRB em 2019 o banco estava estagnado no mercado, com atuação limitada, e viu oportunidade para a instituição ampliar a atuação, para além de Brasília.
O ex-executivo do banco público citou a atuação do Master no nicho de média e grande empresa e no mercado de capitais, áreas em que o BRB não entrava de forma competitiva.
A operação de compra do Master foi anunciada em março por R$ 2 bilhões. Durante o desenrolar das negociações e suspeitas de fraude nas carteiras do Master, foram retirados do negócio mais de R$ 50 bilhões em ativos.
O Master foi liquidado pelo BC em 18 de novembro e o dono do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso. Atualmente, usa tornozeleira eletrônica.
