O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa disse à Polícia Federal (PF) que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ordenou o negócio entre o banco e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O depoimento foi revelado pelo Broadcast, do Estadão, e as afirmações são do depoente, sem confirmação independente.
Segundo o relato, no dia 24 de setembro Costa foi chamado pelo gabinete do governador para um jantar na casa de Vorcaro. Ele estava na Bahia, tentou evitar o compromisso e voltou a Brasília.
Sete pessoas participaram, e ele não nomeou os demais presentes. Costa afirma que Ibaneis lhe apresentou Vorcaro e pediu que ele “estruturasse uma venda do BRB para o Master”.
O ex-presidente diz que Vorcaro, em seguida, pediu um acordo de acionistas para garantir o controle do banco, já que, em bancos públicos, os governos mudam. Na manhã seguinte, de acordo com Costa, ele disse a Ibaneis que discordava da operação, e o governador respondeu que a decisão cabia ao acionista majoritário, o governo do Distrito Federal.
O ex-presidente afirma ter sido surpreendido e ter se oposto ao negócio, e diz que a estratégia de expansão do BRB foi aprovada por Ibaneis e depois pelos órgãos de governança do banco. A versão, porém, é confrontada por mensagens do celular de Costa, que, segundo a reportagem, mostram o ex-presidente direcionando a venda de ações a pessoas ligadas a Vorcaro.
A PF identificou dois aumentos de capital que considera fraudulentos, por meio dos quais fundos e pessoas ligadas a Vorcaro teriam adquirido 23,5% do BRB. Investigadores também afirmam que a compra de carteiras de crédito problemáticas do Master causou fraude superior a R$ 12 bilhões.
A tentativa de compra do Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. O depoimento foi prestado à PF, com a delegada Janaína Palazzo conduzindo as perguntas, e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto com o relatório que levou ao indiciamento de Vorcaro e de Costa por crimes financeiros.
A Procuradoria-Geral da República rejeitou a proposta de delação premiada do ex-presidente do BRB, e a fala foi dada fora de qualquer acordo. Costa é investigado por corrupção, sob suspeita de ter recebido imóveis de luxo em troca da compra das carteiras, e nega que as aquisições tenham causado prejuízos.
A defesa de Ibaneis Rocha foi procurada pelo Broadcast, mas não havia respondido até a publicação. O relato faz parte de uma investigação em andamento e não representa, por si só, uma conclusão judicial sobre a responsabilidade de Ibaneis.
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