Ex-presidente do BC, Armínio Fraga critica socorro ao BRB:

 

Fonte: Bandeira



Em entrevista ao Fim de Expediente desta sexta-feira (29), o economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, fala sobre sua atuação na instituição, com início em 1999. O economista permaneceu na presidência do BC por quatro anos, mas boa parte de seu mandato foi permeado pelo Plano Real – programa de estabilização econômica implementado no Brasil em 1994, durante o governo de Itamar Franco.

“Foi um período muito intenso, de muito estresse e medo. A situação durante algum tempo parecia que ia fugir do controle. Para um país das dimensões do Brasil, com as nossas características, é preciso ter a sua própria moeda e a taxa de câmbio flutua. Para isso, você precisa ancorar o sistema e isso foi feito em parte pelo Banco Central. Foi um grande alívio no final das contas, porque, passados menos de seis meses, a economia engrenou. Foram seis trimestres crescendo mais ou menos 4%. Estava com a cara boa. Depois veio a confusão de 2001, várias crises globais, a crise de energia aqui no Brasil também foi um grande problema”, lembra.

Em 2002, no entanto, houve uma crise de confiança “para quem estava dentro do governo”, como lembra Fraga. Na época, a crise cambial gerada por um ataque especulativo e temores do mercado financeiro quanto à eleição de Lula levaram o país a recorrer a um pacote do Fundo Monetário Internacional (FMI). O resultado: forte desvalorização do Real e alta da inflação.

“Em determinado momento, não sabíamos onde isso ia parar. O mercado não queria comprar a dívida do governo brasileiro que venceria em 2003. Foi uma experiência única”, conta.

Situação atual do BRB

Questionado sobre o cenário econômico atual do Brasil, o economista acredita que a solução recente entre a União e o Governo do DF não seja a melhor opção para o Banco de Brasília.

Na quinta-feira (28), o GDF e a União assinaram um acordo para viabilizar um empréstimo de cerca de R$ 6,5 bilhões para cobrir o rombo nos cofres do BRB. O dinheiro será pago pelo Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, para que o BRB possa, enfim, se recuperar do desfalque causado pelas negociações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Em troca, o governo local terá de fazer um ajuste fiscal e ofereceu ainda dinheiro de fundos para viabilizar a operação.

“É um absurdo não privatizarem o BRB. É um escândalo. A gente parece que não aprende. E de onde vem o dinheiro, inclusive? A mesma pergunta de sempre. Parece que sempre tem um ‘dinheirinho’ assim que pode ser aproveitado. Não tem, não tem… Às vezes, é uma coisa contábil. Está errado, totalmente errado”, afirmou.

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