Ex-policial é condenado por pegar fotos íntimas de celulares de mulheres durante abordagens de trânsito nos EUA
Um ex-policial do estado do Missouri, nos Estados Unidos, foi condenado a dois anos de prisão por copiar imagens íntimas encontradas nos celulares de mulheres durante abordagens de trânsito. O caso envolve abuso de autoridade policial, já que ele utilizava o cargo para acessar os aparelhos das vítimas.
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Julian Alcala, de 31 anos, trabalhava no Departamento de Polícia de Florissant, cidade localizada cerca de 21 quilômetros a noroeste de St. Louis.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Alcala utilizava abordagens de trânsito como oportunidade para pegar os celulares das motoristas sob o pretexto de verificar o seguro ou o registro do veículo.
Depois de acessar os aparelhos, ele procurava imagens explícitas ou íntimas armazenadas no telefone. Quando encontrava esse tipo de conteúdo, usava seu próprio celular para fotografar a tela do dispositivo da vítima e copiar as imagens.
As fotos podiam mostrar as próprias motoristas, seus parceiros ou ambos.
Os episódios ocorreram entre fevereiro e maio de 2024. Alcala se declarou culpado em dezembro do mesmo ano.
Esquema revelado após denúncia
Um dos casos citados nos documentos judiciais descreve um único dia de fevereiro de 2024 em que o policial conseguiu retirar imagens nuas dos celulares de cinco mulheres diferentes durante abordagens de trânsito.
Em outro episódio, ele utilizou o próprio telefone da vítima para enviar um vídeo íntimo dela para si mesmo e depois tentou apagar os vestígios da mensagem.
A mulher percebeu algo estranho ao encontrar sinais de uma mensagem apagada que havia enviado o vídeo para um número desconhecido. Ela então decidiu entrar em contato com o FBI.
A partir da denúncia, uma investigação forense digital revelou que Alcala havia retirado imagens íntimas de outras 19 vítimas, segundo promotores.
O ex-policial se declarou culpado em 2 de dezembro a 20 acusações de contravenção relacionadas à privação de direitos sob abuso de autoridade.
Consequências legais
O advogado de defesa, Scott Rosenblum, afirmou que Alcala está em tratamento por dependência sexual e passou a frequentar uma igreja.
— Ele mudou completamente de vida e está disposto a continuar esse processo — disse.
Além da condenação criminal, Alcala entregou permanentemente sua licença de policial, segundo confirmou Mike O’Connell, porta-voz do Departamento de Segurança Pública do Missouri. Isso significa que ele não poderá voltar a exercer a função.
Após o caso se tornar público em novembro de 2024, o Departamento de Polícia de Florissant informou que havia sido alertado pelo FBI sobre a investigação em junho daquele ano. Na ocasião, Alcala pediu demissão do cargo.
Em comunicado, a corporação afirmou:
“Estamos indignados com esse comportamento, que é uma completa traição aos valores que defendemos e de forma alguma reflete o profissionalismo e a integridade de nossos policiais dedicados”.
Ações civis
Alcala trabalhou como policial em Florissant por cerca de 11 meses. A cidade tem aproximadamente 50 mil habitantes.
Além do processo criminal, ele enfrenta cinco ações civis federais movidas em nome de 11 pessoas que o acusam de má conduta. Em alguns desses processos, a cidade de Florissant também aparece como ré.
As ações foram suspensas temporariamente enquanto o caso criminal era julgado.
Em alguns processos, Alcala também é acusado de ter enviado fotos íntimas das vítimas para outras pessoas. Uma das autoras das ações tinha 17 anos quando foi abordada por ele e, segundo a denúncia, também teve fotos nuas retiradas de seu celular.
O advogado Justin Summary, que representa uma das vítimas, comentou a sentença.
— Embora nenhuma sentença possa desfazer completamente o dano causado, a decisão do tribunal reafirma que ninguém está acima da lei e que abusos de autoridade têm consequências reais — disse.
Ele acrescentou que sua cliente espera que o resultado ajude a encerrar o caso.
— Minha cliente espera que esse resultado traga algum tipo de encerramento para ela e para as muitas outras vítimas afetadas pela conduta do acusado.
Além da pena de prisão, Alcala foi obrigado a pagar US$ 2.681 em indenizações às vítimas, segundo informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
