Ex-musa do carnaval, Nana Gouvea hoje mora nos EUA, tem netos e lembra que recebia ajuda de custo para desfilar: 'Hoje não teria condições de pagar o que as rainhas pagam'
Figura marcante do carnaval, Nana Gouvea, de 50 anos, se afastou da Avenida em 2009. Hoje vivendo nos Estados Unidos, ela, que ocupou o posto de rainha de bateria da Caprichosos de Pilares, recorda com saudade dos momentos à frente dos ritmistas:
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— O carnaval me dava uma base de trabalho, de sustento, de divulgação na mídia, me dava um respaldo. O carnaval me ajudou muito e era uma paixão para mim. Eu participei de uma época de ouro. As rainhas de bateria eram fantásticas, maravilhosas. Eram mulheres escolhidas a dedo: ou eram musas da comunidade ou celebridades que realmente vestiam a camisa das escolas, mulheres que tinham muita dedicação, respeito aos ensaios, à presença, à divulgação. Era uma fase muito bonita do posto de rainha de bateria. Nós éramos rainhas mesmo, todas nós. Eu desfilava na mesma noite que Luiza Brunet, Viviane Araujo, Fábia Borges. Lembro que eu saía da minha escola, me trocava e ia de novo para a Avenida para assistir às outras rainhas. Nessa época do ano, as pessoas sempre lembram de mim.
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Nana conta que, na época em que desfilava, recebia uma ajuda de custo da escola de samba para se dedicar integralmente ao posto:
— Eu sempre fui muito aberta com o meu presidente, o Alberto Leandro. Quando comecei, comentei com ele que provavelmente не poderia ficar se não tivesse uma ajuda de custo. Eu era mãe solo e realmente precisava trabalhar e fazer dinheiro. Eu não poderia ter ido a muitos eventos e ensaios caso eu tivesse que pegar outros trabalhos como modelo, fazendo presença, porque eu teria que viajar. Mas ele fazia questão que eu estivesse na escola, e eu também queria estar lá. Então, entramos num consenso de que ele iria me ajudar com um certo valor. Naquela época, os presidentes tinham a compreensão de que uma rainha de bateria presente, que se dedicasse à escola, era positivo para conseguir patrocínios, para a quadra estar sempre cheia. Tudo isso se revertia financeiramente para a escola. Eu saí no início da fase das rainhas patrocinadoras, vamos assim dizer. Eu escapei. Eu não teria condições de pagar o que elas pagam. Não combina com o que eu acho que meu trabalho deve ser. Eu acho que tenho que ser paga pelo meu trabalho, não tenho que pagar para trabalhar. Mas as coisas mudam.
Nana, que tem duas filhas, é avó de dois netos, que também moram fora do país.
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