Ex-ministro de Lula é detido em aeroporto e deportado do Panamá após perguntas sobre prisão na ditadura

 

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O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Franklin de Souza Martins, (PT), foi deportado do Panamá após ser detido no aeroporto da Cidade do Panamá, na última sexta-feira. Segundo o relato enviado ao Itamaraty, o jornalista contou ter sido levado para diferentes salas do aeroporto, onde precisou responder questionamentos sobre sua atuação durante a ditadura militar no Brasil e preencher documentos com informações pessoais. Neste domingo, após intervenção da embaixada brasileira, o Panamá pediu desculpas ao governo Lula.

-- Outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso -- escreveu o jornalista no relato divulgado pela Associação Brasileira de Imprensa

Franklin Martins contou no relato que a parada no Panamá era apenas uma escala de viagem e que o destino final seria a Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar. Ele afirmou inda não acredita ter sofrido uma perseguição pessoal, mas acredita que o incidente pode ter acontecido após cruzamento de dados gos governos do Panamá e dos Estados Unidos.

"Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo", disse o ex-ministro na carta enviada ao Itamaraty

Pedido de desculpas

Após intervenção do Itamaraty, o governo panamenho pediu desculpas pelo acontecimento. Segundo o texto publicado pelo portal ICL Notícias, o ministro das Relações Exteriores do Panamá Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez afirmou que o "o evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo Sr. de Souza Martins, nem por sua distinta trajetória pública como jornalista e servidor público no Brasil durante os governos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

Ainda carta, Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez pediu desculpas pelo inconveniente e afirmou que Franklin Martins "será sempre bem-vindo ao Panamá".