Ex-ministro das Finanças da Grécia é processado por admitir uso de drogas há décadas
Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia, está longe de ser o primeiro político a admitir o uso de drogas ilícitas durante décadas. Mas a admissão lhe rendeu uma distinção rara, segundo anunciou seu partido político nesta quarta-feira: ele está sendo processado. Varoufakis, um economista de esquerda, autor e crítico do governo conservador da Grécia, foi acusado de "promover e anunciar drogas", segundo seu partido, conhecido como MeRA25, ou Frente Europeia de Desobediência Realista.
Entenda: estudo associa consumo de cannabis na adolescência a maior risco de psicoses e transtorno bipolar
Tocou com os Beatles: documentário sobre Billy Preston revela abuso na infância e problemas com drogas e álcool
Os procuradores gregos, que raramente comentam tais ações, não puderam ser contatados na noite desta quarta-feira. Varoufakis não respondeu ao pedido de comentário.
“A ideia de levar o líder de um partido político a julgamento por mencionar suas experiências com substâncias décadas atrás não é um erro aleatório ou inocente”, disse a MeRA25 em um comunicado. “É a mensagem de um sistema de justiça que fecha os olhos para o poder enquanto persegue qualquer um que se recuse a se curvar diante dele.”
No início de janeiro, em um podcast organizado por jovens para abordar as preocupações da Geração Z, Varoufakis foi questionado se já havia usado drogas, de acordo com uma publicação que ele fez em uma rede social algumas semanas depois.
"Determinado a não fazer como Bill Clinton [lembram-se do ridículo 'Eu não inalei'?], eu disse que sim", escreveu ele na publicação. “Além da maconha”, escreveu ele, dizendo que experimentou ecstasy uma vez, há 36 anos, na Austrália.
Jovens, sobretudo menores de idade, fazendo uso recreativo de tíner e cometendo pequenos delitos no Rio de Janeiro
Ele afirmou estar falando a verdade, mas apenas como um prelúdio para um alerta sobre os riscos do vício. Varoufakis disse que teve uma experiência inicialmente agradável e “dançou por 16 horas sem esforço”, seguida por uma enxaqueca que durou uma semana, e nunca mais usou ecstasy.
“Essa foi a minha introdução à ideia de que, por mais prazeroso que o uso de drogas possa parecer, há um preço a pagar”, disse Varoufakis. Ele acrescentou que havia alertado “enfaticamente” que a dependência de drogas significava “o fim da liberdade”.
Ele escreveu que fez a postagem depois que agentes de combate às drogas o convocaram para interrogá-lo sobre seus comentários.
“Em tempos de guerra, genocídio, exploração desenfreada e tudo mais, meu pequeno problema com a polícia grega insensata não vem ao caso”, escreveu ele no mês passado.
Mas afirmou que, mesmo assim, o ocorrido era “importante”, na medida em que demonstrava que as liberdades estão sendo cada vez mais violadas.
“Aqui, na Europa, muitas pessoas ainda vivem sob a ilusão de que temos liberdade, racionalidade e igualdade”, disse ele. “Não temos.”
'Droga zumbi': novos e-mails dos arquivos de Epstein citam planta tóxica, mantida em propriedade do financista, que afeta memória e vontade
Sexo, drogas e álcool: acusado de estupro, filho da princesa de Noruega reconhece uma vida de excessos
O MeRA25 classificou o processo contra ele como "mais um episódio" que demonstra a manipulação do sistema judiciário grego pelo partido governista Nova Democracia e sua guinada rumo ao fascismo.
Varoufakis, de 64 anos, ocupou brevemente o cargo de ministro das Finanças em 2015, no governo de esquerda da Coligação da Aliança Progressista da Esquerda Radical (SYRIZA), que tentava resolver uma grave crise financeira.
Ele renunciou sob pressão após comparar os credores do país a terroristas e provocar a ira de líderes europeus. Seu partido afirmou que o julgamento dele está marcado para dezembro.
