Ex-ministra da Nigéria é acusada de gastar milhões em itens de luxo bancado por empresários; entenda

 

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Um julgamento em curso no Reino Unido nesta semana trouxe à tona uma rotina de gastos milionários em lojas de luxo atribuída à ex-ministra do petróleo da Nigéria Diezani Alison-Madueke, acusada de ter recebido subornos de empresários interessados em contratos com o governo nigeriano. Segundo promotores britânicos, ela teria desfrutado de uma “vida de luxo no Reino Unido”, bancada por figuras influentes do setor de energia.

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De acordo com a rede BBC, depoimentos apresentados no Tribunal da Coroa de Southwark detalharam visitas frequentes da ex-ministra à loja de departamentos Harrods, em Knightsbridge. Em uma ida ao local, em novembro de 2013, Alison-Madueke teria encomendado tapetes avaliados em milhares de libras, incluindo peças assinadas por grifes de luxo. As compras, segundo o tribunal, não eram pagas por ela, mas por empresários nigerianos ligados ao setor petrolífero.

Um executivo de vendas relatou que a então ministra estava “extremamente elegante”, usando roupas caras e acompanhada do empresário Kolawole Aluko e de um segurança. A acusação sustenta que, entre 2012 e 2013, Aluko adquiriu luminárias, mesas e outros itens de decoração que somam mais de £ 370 mil para Alison-Madueke.

O tribunal também ouviu relatos sobre compras em outras lojas especializadas em mobiliário, porcelana e prataria em Londres, onde a ex-ministra passava horas escolhendo produtos — muitos deles comprados, mas nunca retirados pessoalmente. De acordo com a acusação, os pagamentos eram feitos por empresários que mantinham contratos lucrativos com a estatal Nigerian National Petroleum Corporation durante o período em que ela chefiava o ministério.

Além das compras em Londres, promotores mencionaram remessas de móveis adquiridos em uma loja de luxo em Houston, nos Estados Unidos, enviados para imóveis na capital britânica supostamente usados por Alison-Madueke. Fotografias exibidas ao júri mostram o interior de uma dessas propriedades.

O caso inclui ainda despesas como o fretamento de um jato particular entre Luton e Lagos, ao custo de £ 89.410, e a entrega de £ 100 mil em dinheiro vivo a um apartamento em Londres. Um motorista afirmou ter buscado Alison-Madueke e o então presidente nigeriano Goodluck Jonathan no mesmo endereço.

Mensagens recuperadas do celular da ex-ministra, apreendido em 2015, foram apresentadas como prova. Em conversas gravadas, ela teria confrontado Aluko após suspeitar que ele comentava os presentes recebidos. Em outro episódio, mensagens mostram empresários prometendo “lealdade” e se dispondo a recolher compras de marcas de luxo.

Alison-Madueke, que ocupou o cargo entre 2010 e 2015, nega cinco acusações de recebimento de suborno e uma de conspiração. Também são réus o irmão dela, Doye Agama, e executivos do setor industrial e petrolífero, todos negando irregularidades. O julgamento segue em andamento.