Ex-militar condenado pela morte do cantor Víctor Jara durante a ditadura Pinochet é preso no Chile
A polícia do Chile prendeu neste domingo o ex-militar foragido Nelson Haase, condenado pelo assassinato e sequestro do cantor e compositor Víctor Jara há mais de meio século, durante a ditadura militar no país.
A informação foi confirmada pelo Poder Judiciário à agência de notícias AFP.
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Autor de canções como "El derecho de vivir en paz", Víctor Jara é considerado um símbolo da chamada Nova Canção Chilena, movimento musical e social surgido na década de 1960.
O músico foi torturado e assassinado com 44 tiros em 16 de setembro de 1973, cinco dias após o golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet contra o então presidente Salvador Allende.
Jara tinha 40 anos.
"Ele foi submetido a torturas físicas, sendo os golpes mais severos aqueles que recebeu na região do rosto e nas mãos", aponta a investigação judicial.
Em 28 de agosto de 2023, poucas semanas antes da celebração dos 50 anos do golpe militar e do assassinato de Jara, sete militares da reserva foram condenados pelo caso a penas que variam de oito a 25 anos de prisão.
Haase, de 80 anos, foi sentenciado a 25 anos de prisão, mas fugiu quando a condenação foi anunciada.
Ele era o único militar que permanecia foragido.
"Foi determinada a ordem de recolhimento à prisão do militar da reserva Nelson Haase Mazzei", informou o Poder Judiciário em comunicado enviado à AFP.
Segundo a imprensa local, o ex-militar foi localizado na região de Los Lagos, a cerca de 950 quilômetros ao sul da capital, Santiago.
Ele não foi o único a evitar a prisão após a sentença.
O general Hernán Chacón, de 85 anos, suicidou-se quando a polícia foi até sua residência para prendê-lo e levá-lo para cumprir a pena.
O assassinato de Víctor Jara foi um dos crimes mais brutais cometidos pela ditadura militar chilena (1973–1990), que deixou um saldo de 3.200 vítimas, entre mortos e desaparecidos.
