Ex-marido de Brent Sikkema é condenado nos EUA por trama para matar galerista no Rio
O ex-marido do galerista Brent Sikkema foi condenado nos Estados Unidos por envolvimento em uma trama de assassinato por encomenda que terminou com a morte do marchand americano, esfaqueado em sua casa de férias no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, em janeiro de 2024.
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Nesta sexta-feira (22), um júri federal em Manhattan considerou Daniel Sikkema culpado em três acusações relacionadas à conspiração para contratar e pagar um assassino para matar Brent, de 75 anos. Segundo a acusação, Daniel, que estava em meio a um divórcio conturbado com o galerista, contratou o cubano Alejandro Triana Prevez para executar o crime.
— Ele encomendou e pagou pelo assassinato do marido, além de manipular amigos para isso — afirmou a procuradora federal assistente Meredith Foster em sua declaração final ao júri.
Alejandro Triana Prevez, acusado de matar o americano Brent Sikkema
Reprodução
Daniel, que tem cerca de 50 anos, não demonstrou emoção quando o veredicto foi lido nem ao ser conduzido para fora do tribunal federal do Distrito Sul de Nova York. O filho do casal, Lucas, hoje com 15 anos, não compareceu à leitura da decisão. A equipe jurídica de Daniel não comentou se pretende recorrer. Antes do julgamento, a defesa havia afirmado que ele era inocente.
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De acordo com a acusação, Daniel permaneceu em Nova York com o filho enquanto Brent passava férias na segunda residência do casal, no Rio. Na madrugada de 14 de janeiro de 2024, Prevez entrou no imóvel, pegou uma faca Santoku na cozinha e encontrou o galerista sozinho, dormindo no andar de cima. Segundo documentos judiciais, Brent foi esfaqueado 18 vezes.
Sócio de famosa galeria de arte de NY, Brent Sikkema é encontrado morto em apartamento no Jardim Botânico, no Rio
Foto: Reprodução
O crime teve grande repercussão internacional por causa da importância de Brent Sikkema no mercado de arte. Ele era um respeitado galerista de Nova York e ajudou a projetar artistas como Kara Walker e Vik Muniz por meio da galeria Sikkema Jenkins, fundada no início dos anos 1990 com o sócio Michael Jenkins. O espaço hoje se chama Sikkema Malloy Jenkins.
Poucos dias após o assassinato, autoridades brasileiras localizaram e prenderam Prevez, que depois afirmou ter matado Brent a mando de Daniel em troca de dinheiro. Atualmente, o cubano está preso no Brasil e aguarda julgamento.
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Procurado após o veredicto nos EUA, o advogado de Prevez declarou:
— O sr. Alejandro Triana acredita que a sentença fez justiça, já que o sr. Daniel foi o mentor do crime e o ameaçou repetidamente para que o assassinato fosse executado.
Durante o julgamento, a promotoria apresentou uma sequência de 11 transferências bancárias, além de ligações e mensagens trocadas entre Daniel e Prevez, muitas delas por meio de empregados domésticos e outros intermediários. Registros mostram que Prevez tentou ligar para Daniel minutos depois do assassinato.
A acusação também afirmou que Daniel pagou cerca de US$ 9 mil a Prevez antes e depois do crime e, em seguida, mentiu a amigos e autoridades ao negar que conhecia o homem apontado como executor. A defesa, porém, sustentou que os pagamentos eram valores atrasados por trabalhos feitos por Prevez para o casal em Cuba. O advogado Richard Levitt disse aos jurados que Daniel “jamais seria violento” e que escondeu a relação com Prevez “porque estava em pânico após o assassinato”.
Brent e Daniel se conheceram em 2007 e se casaram seis anos depois. Em 2022, o casamento começou a ruir, e os dois iniciaram um processo de divórcio marcado por disputas sobre a guarda de Lucas e a divisão do patrimônio de Brent. Segundo documentos judiciais, o galerista retirou Daniel do testamento. Em determinado momento, Daniel tentou fechar um acordo de US$ 6 milhões, valor rejeitado por Brent por ser considerado excessivo.
— Esperamos que isso traga encerramento a esta história trágica e que possamos nos concentrar no bem-estar de Lucas — afirmou James Deaver, executor do espólio de Brent e administrador de seus bens, ao periódico americano.
Daniel Sikkema agora enfrenta a possibilidade de prisão perpétua obrigatória. A data da sentença ainda não foi informada pelo tribunal.
