Ex-líbero Serginho relembra a primeira vez que dividiu quarto com Maurício e analisa o vôlei atual: 'A nossa base está muito ruim'
Com duas medalhas de ouro olímpicas no peito, o ex-líbero Serginho gosta mesmo é de carregar — e contar — as histórias da sua árdua e vitoriosa carreira no vôlei. Como um estranho no ninho, ele relembrou os primeiros contatos com seus ídolos nas primeiras convocações e competições sob o comando do técnico Bernardinho.
No primeiro treino, Escadinha, seu apelido que levou para o vôlei, viveu momentos de tensão ao se deparar com craques já consolidados na seleção em 2021.
— O primeiro treino foi horrível porque estava muito nervoso. Tinha Giovane, Maurício, do meu lado. Aí fomos treinar no Rio, na areia, e os caras começaram a tirar a camisa. Eu não ia tirar a camisa. Os caras tudo forte, saíam nas revistas. Eu pesando 78kg, magrelo. Eu passei mal de tanto treinar, mas me recuperei, e voltei para o treino. Já estou aqui, ninguém me tira mais — contou Serginho ao "Basticast", no bate-papo com Lucas Lustoza e Mariana Mello.
De 2001 a 2004, Serginho dividiu o quarto com o levantador Maurício. A primeira experiência lhe causa risos até hoje.
— Quando eu cheguei no hotel no Leme, eu falei para a recepcionista: "Moça, o Maurício do vôlei tá aí em cima? Ela falou ‘tá’". E eu: "Não vou lá não, eu não vou". Eu tremia. Peguei o elevador e fui suando frio. Apertei a campainha, ele abriu a porta, aí comecei a olhar para cima, ele ficou gigante (ambos têm a mesma altura), eu só chorei e abracei ele. Ele me perguntou por que eu estava chorando e eu respondi que não largaria ele nunca mais. "Você é meu ídolo, eu jogo vôlei por sua causa". Ele chorou também no dia — relembrou o ex-jogador.
Hoje aposentado, Serginho toca seu instituto com projetos sociais. Mas não se desligou totalmente do mundo do vôlei profissional e faz uma análise preocupante da categoria masculina atual.
— O nível da Superliga masculina é horrível, apenas dois, três times que se destacam. Me preocupo com a base da seleção brasileira, o tamanho dos atletas. A seleção chegar hoje a uma semifinal tem que jogar muito voleibol. A nossa base está muito ruim — disse.
