Ex-executiva de empresa de dispositivos médicos é acusada de ocultar mortes de pacientes com câncer nos EUA

 

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Promotores federais dos Estados Unidos acusaram uma ex-executiva da ExThera, fabricante californiana de dispositivos médicos, de ocultar do governo as mortes de dois pacientes com câncer que foram tratados com o filtro sanguíneo da empresa. A Dra. Sanja Ilic, ex-diretora de assuntos regulatórios da empresa, concordou em se declarar culpada e pode enfrentar até três anos de prisão, informou o Departamento de Justiça nesta quinta-feira.

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Os promotores também firmaram um acordo de acusação diferida com a empresa, no qual a ExThera admitiu ter fraudado e enganado a Food and Drug Administration (FDA) ao deixar de relatar as mortes.

A empresa concordou em pagar uma multa criminal de 750 mil dólares, que será destinada às famílias das vítimas, além de abrir mão de 5,7 milhões de dólares.

Tratamento experimental e mortes

Os dois pacientes, David Hudlow, de Panama City, na Flórida, e Kyle Chupp, de Orillia, em Ontário, morreram com um dia de diferença, em abril de 2024, pouco depois de voltarem para casa após terem seu sangue filtrado na ilha caribenha de Antigua.

Hudlow, de 55 anos, e Chupp, de 39, estavam entre cerca de duas dezenas de pacientes com câncer em estágio avançado que a ExThera atraiu para Antigua com promessas de que seu filtro sanguíneo — que a FDA havia aprovado condicionalmente apenas para o tratamento da Covid-19 — poderia curá-los, segundo reportou o New York Times no ano passado. Os pacientes pagavam 45 mil dólares por sessão de tratamento.

A operação em Antigua foi idealizada por Alan Quasha, um bilionário americano que viu potencial no filtro sanguíneo da ExThera como tratamento para câncer e longevidade. A Quadrant Management, empresa de private equity da família de Quasha, investiu na ExThera e criou uma distribuidora no Caribe que comprou 10 milhões de dólares em dispositivos de filtragem da companhia. Outra subsidiária da Quadrant contratou uma clínica de saúde em Antigua para administrar os tratamentos.

Ilic e um membro do conselho da ExThera próximo a Quasha, chamado John Preston, promoveram o filtro sanguíneo a pacientes com câncer nos Estados Unidos e no Canadá como uma descoberta milagrosa, informou o New York Times. Nem Quasha nem Preston foram acusados, e ambos negaram qualquer irregularidade.

A investigação, conduzida pela força-tarefa da Nova Inglaterra da Unidade de Fraudes em Saúde do Departamento de Justiça, continua em andamento, segundo duas pessoas familiarizadas com o caso.

A ExThera, que chegou a ter cerca de 50 funcionários, vem buscando novos investimentos e está próxima de pedir recuperação judicial sob o Capítulo 11, de acordo com documentos de apresentação a investidores obtidos pelo New York Times.