Ex-cunhado de Gilmar chamava Vorcaro de ‘irmão’ e recomendou aproximação com ministro do STF, diz O Globo

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Fonte da notícia: Valor Valor

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) dentro das investigações do Banco Master mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro foi aconselhado, em abril de 2024, pelo empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, a se aproximar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Feitosa, isso seria “importante para o futuro”.

De acordo com o blog da jornalista Malu Gaspar em O Globo, Feitosa se referia ao dono do Master como “irmão” e “grande amigo” e se apresentava como uma ponte entre Vorcaro e Gilmar Mendes.

Procurado, Feitosa disse que teve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, do grupo do Master, mas não esclareceu o período de vigência nem o valor.

“Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo”, escreveu Feitosa para Vorcaro em 19 de abril de 2024, ao sugerir a aproximação do banqueiro com o decano do STF, segundo apuração do blog de Malu Gaspar.

Chiquinho é ex-senador, ex-deputado federal e presidente do Republicanos no Ceará, com atuação no setor de transportes. Na época da troca das mensagens, ele era cunhado de Gilmar, que se divorciou da advogada Guiomar Feitosa, irmã de Feitosa, em novembro de 2025, um ano e meio após o empresário sugerir a aproximação entre o banqueiro e Gilmar.

Em abril de 2024, quando Chiquinho encorajou Vorcaro a buscar o magistrado, o dono do Banco Master buscava interlocução com Gilmar devido a um julgamento sobre precatórios judiciais do setor sucroalcooleiro na Segunda Turma do STF.

A análise do caso sobre os precatórios tinha sido interrompida um mês antes por um pedido de destaque de Gilmar em março de 2024. O processo tratava de um recurso da União contra a destilaria Alcídia, que cobrava a reparação de prejuízos provocados pela política de fixação de preços do governo nos anos 1980. A ação envolvia pagamentos bilionários e interessava a Vorcaro, já que o resultado do julgamento poderia produzir uma tese que teria impacto direto nos negócios do Master.

Segundo a apuração do blog, Vorcaro encaminha a um de seus advogados, Ciro Rocha Soares, uma mensagem de WhatsApp enviada por um interlocutor não identificado na manhã de 15 de março de 2024: “Gilmar pediu destaque, usou o ‘poder de veto’ para zerar a votação e enviar o processo julgamento presencial.”

Na sequência, Vorcaro escreveu: “Cara, urgente isso pra mim, preciso de sua ajuda. Gilmar está contra mim num caso que estão usando pra ferrar todos meus precatórios”.

Soares respondeu: “Pqp. Vou falar com ele agora. Peraí”. Soares atuava para aproximar Vorcaro de autoridades do Judiciário como o também ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Três horas mais tarde, o advogado volta a mandar mensagens para o banqueiro.

“Irmão, preciso saber quem está contra você nesse assunto”, perguntou. “Messias”, respondeu o dono do Master, em referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que defende no caso a União, autora da ação cujo julgamento tinha sido interrompido por Gilmar. “Ele quer usar disso pra exemplo. [André] Esteves não sei a posição”, complementou em relação ao dono do BTG Pactual, que Vorcaro tinha como desafeto pessoal e nos negócios e concorrente no ramo dos precatórios.

A ação da Alcidia foi alvo de uma série de interrupções. Em 25 de março de 2024, quando a análise do caso foi retomada, Gilmar pediu um novo destaque, interrompendo mais uma vez a discussão. Em 26 de agosto de 2024, Gilmar cancelou o pedido de destaque. Quando o processo retornou à pauta, em 18 de setembro, foi a vez de Kassio Nunes Marques pedir vista.

O processo foi finalmente julgado em outubro de 2024, quando a usina derrotou a União por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado da União vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o ministro tem travado atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master.

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