Ex-‘BBB 26’, Marciele desabafa sobre preconceito por figurino de dançarina: ‘Diminuíam minha profissão’

 

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Assim como o movimento vibrante que o Boi Caprichoso faz por onde passa, Marciele Albuquerque, a cunhã-poranga do Touro Negro, vem experimentando uma agitação intensa após o “BBB 26”. Formada em administração, Marciele acabou focando na arte. À frente do Boi Caprichoso, ela encara o ofício de corpo e alma, mesmo sob o olhar preconceituso de algumas pessoas por conta de sua exposição.

— Nosso figurino deixa a gente quase seminua, então imagina. Não cheguei a sofrer assédio, mas preconceito. Quando eu falava que eu era dançarina, alguns já faziam um olhar que diz muita coisa. Além de comentários diminuindo a minha profissão. Sempre tive que ser muito dura e pulso firme com tudo isso para evitar qualquer coisa. Hoje em dia, está muito mais tranquilo porque as pessoas entendem mais — analisa.

Marciele começou a dançar no Caprichoso ainda na época da faculdade e nunca mais parou. Os movimentos de seu corpo se tornaram sinônimo de sobrevivência para ela.

— A dança virou significado de força. Longe de casa, longe da minha família... E tinha a ingenuidade também da menina do interior para lidar com as coisas da cidade grande... Então passei por uns bons bocados, entre trancos e barrancos. Consegui me formar, mas nunca parei de dançar — conta ela, que, além de ser influenciadora digital, tem duas empresas, uma de joias indígenas e outra de moda fitness.

Marciele Albuquerque

Márcio Farias

Hoje, além de representar o Boi Caprichoso, ela é ativista da causa indígena.

— O ativismo nasce com a gente. Vim de um lugar onde o ativismo é a única opção de luta, né? Antes de ter toda essa visibilidade, lutei muito. Cresci vendo minha mãe e minha avó lutarem. Ter uma consciência de classe veio de forma natural, sabe? Com o Boi Caprichoso, a gente leva isso para arena porque cultura é ativismo de forma poética e lúdica. Sendo mulher indígena, nortista e amazônida, sendo referência pra outras meninas... Tudo pelos nossos direitos e espaço — argumenta Marci, que agora também pensa ser atriz e quer entrar no curso de teatro.

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