A ex-bailarina mineira Luana Lopes Lara, de 30 anos, estreou na lista de bilionários brasileiros da Forbes de 2026 com patrimônio estimado em R$ 13,4 bilhões.
Ela é cofundadora da Kalshi, plataforma americana de mercados de previsão avaliada em US$ 22 bilhões e bloqueada no Brasil desde abril.
Luana tornou-se bilionária em dezembro de 2025, aos 29 anos, quando a Kalshi recebeu um aporte de US$ 1 bilhão e passou a valer US$ 11 bilhões.
Na ocasião, a Forbes passou a considerá-la a mulher mais jovem do mundo a construir uma fortuna bilionária sem herança.
Em maio deste ano, a empresa anunciou uma nova rodada de US$ 1 bilhão, liderada pela gestora Coatue, que dobrou seu valor para US$ 22 bilhões.
Luana e o sócio Tarek Mansour possuem participações estimadas em 12% da companhia, segundo a Forbes, que calcula o patrimônio de cada um em US$ 2,6 bilhões.
A atual disputa com o governo brasileiro não é o primeiro confronto regulatório da trajetória de Luana.
Em entrevista concedida à CNBC em março, ela afirmou que a maior aposta de sua carreira havia sido enfrentar os reguladores americanos para assegurar o direito de negociar contratos sobre eleições.
Do balé ao mercado financeiro
Nascida em Belo Horizonte em 1996, Luana estudou na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, e dançou profissionalmente por uma temporada na Áustria.
Depois, deixou o balé para cursar ciência da computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Durante a graduação, passou por empresas do mercado financeiro como Bridgewater Associates, Citadel Securities e Five Rings Capital.
No MIT, conheceu Mansour, com quem fundou a Kalshi em 2018.
A ideia surgiu quando os dois estagiavam em Nova York.
Eles perceberam que investidores consideravam acontecimentos como eleições, decisões de bancos centrais e fenômenos climáticos em suas estratégias, mas não tinham uma forma direta de negociar a probabilidade de esses eventos ocorrerem.
Na Kalshi, perguntas sobre o futuro são transformadas em contratos com posições “sim” ou “não”.
O preço representa a probabilidade atribuída pelos participantes a cada resultado.
Se um contrato “sim” custa US$ 0,70, por exemplo, o mercado estima em aproximadamente 70% a chance de o evento acontecer.
A previsão correta paga US$ 1; a errada perde o valor investido.
A empresa recebeu em 2020 autorização da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, a CFTC, para operar como um mercado de contratos designado, submetido à regulação federal de derivativos.
Em 2023, a CFTC rejeitou os contratos da Kalshi sobre eleições.
A empresa processou a própria agência reguladora e obteve uma decisão favorável em setembro de 2024.
Mais de US$ 500 milhões foram negociados na plataforma durante a disputa presidencial entre Donald Trump e Kamala Harris, de acordo com a Forbes.
O bloqueio no Brasil
Em abril, o governo brasileiro determinou o bloqueio de 27 plataformas de mercados de previsão, entre elas Kalshi e Polymarket.
O Ministério da Fazenda concluiu que o modelo reproduz elementos das apostas de quota fixa sem cumprir as exigências aplicadas ao setor no país.
Em nota técnica, a Secretaria de Prêmios e Apostas afirmou que a existência de um evento futuro, o risco financeiro assumido pelo usuário e um prêmio previamente determinável aproximam os contratos das bets.
O órgão também apontou a ausência das exigências brasileiras de proteção ao consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro e integridade esportiva.
A Kalshi contesta esse enquadramento.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Luana afirmou que a empresa aproxima compradores e vendedores e ganha dinheiro com taxas sobre as transações, sem assumir o lado oposto ao do usuário.
“A Kalshi não ganha dinheiro quando as pessoas perdem”, disse.
Apesar do bloqueio para usuários no país, a plataforma mantém em seu mercado internacional contratos relacionados à eleição brasileira de 2026, incluindo o vencedor da Presidência, o resultado do primeiro turno, a composição do Senado e disputas estaduais.
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