Ex-alunos denunciam abusos e violência em escolas católicas na França

 

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Um grupo de ex-alunos da rede de escolas católicas lassalistas na França se uniu para denunciar episódios de violência, incluindo abusos sexuais, cometidos há décadas por integrantes da congregação. As denúncias, tornadas públicas neste domingo, envolvem crimes ocorridos entre 1955 e 1985 em cerca de 20 instituições ligadas aos Irmãos das Escolas Cristãs.

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Fundada no fim do século XVII por São João Batista de La Salle, a congregação afirmou, por meio de nota, que leva as acusações “muito a sério” e informou já ter indenizado 70 vítimas. Segundo a defesa, até agora foram registradas 72 denúncias, com pagamentos que somam 2.434.882 euros, conforme as recomendações da Comissão de Reconhecimento e Reparação.

Os ex-alunos — em sua maioria entre 50 e 70 anos — relatam agressões físicas, humilhações e, em muitos casos, abusos sexuais praticados por religiosos e professores leigos, a maior parte já falecida. Um dos cofundadores do grupo, Philippe Auzenet, de 73 anos, descreveu à Agence France-Presse episódios de extrema violência durante a infância, afirmando que as experiências “arruinaram” sua vida. Outro integrante, que prefere não ser identificado, disse ter sofrido agressões e toques inapropriados entre 1969 e 1978.

Em comunicado, o advogado da congregação, Matthias Pujos, informou que desde 2014 existe uma unidade específica para receber queixas e acompanhar vítimas. Acrescentou ainda que, desde 2022, foram apresentadas três queixas judiciais nos casos em que acusados ainda estavam vivos — procedimento que, segundo ele, é padrão da ordem.

O grupo de ex-alunos cobra agora o reconhecimento formal do que classifica como “violência sistêmica” e a criação de um fundo de reparação de 100 milhões de euros, além de um apelo público para recolher novos testemunhos.

As revelações ocorrem em meio à repercussão de outro grande escândalo na França, envolvendo abusos físicos e sexuais contra menores na instituição Notre-Dame de Bétharram, no sudoeste do país. Ali, quase 250 ex-alunos denunciaram atos cometidos entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 2000. A congregação responsável reconheceu a responsabilidade e anunciou que pretende indenizar todas as vítimas.

Afetado por “amnésia traumática”, Auzenet afirmou que as memórias voltaram à tona justamente durante a divulgação do caso Bétharram, reforçando, segundo ele, a necessidade de dar visibilidade às denúncias antigas.