Evento em Nova York evidencia consolidação de pontes sólidas entre Brasília e Washington

Evento em Nova York evidencia consolidação de pontes sólidas entre Brasília e Washington

 

Fonte: Bandeira



Realizada durante a janela de 30 dias acertada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para que arestas entre os dois países sejam aparadas, a Semana do Brasil em Nova York demonstrou a solidez das relações bilaterais e os caminhos para que eventuais desentendimentos conjunturais sejam superados. A parceria do Brasil com os Estados Unidos é estratégica para ambas as partes. Em mais de 200 anos, as relações bilaterais tiveram ciclos de maior aproximação, distanciamentos e recomposições, com maior ou menor alinhamento.

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Na visão de autoridades brasileiras, trata-se de um relacionamento multifacetado e cheio de nuances. Ao mesmo tempo em que o Brasil reserva-se o direito de discordar das abordagens feitas pelos americanos nos principais temas globais, o país também busca um diálogo em pé de igualdade e um não alinhamento automático, em um comportamento pendular por meio do qual busca obter ganhos de todos os grandes atores da cena internacional.

Uma dessas nuances, aliás, é a importância do setor privado para o estreitamento dessas relações. Há registros da época do Império sobre isso. Mais recentemente, contudo, foram fundamentais as articulações empresariais para a reaproximação entre Lula e Trump após o tarifaço imposto pelos americanos.

Este vai e vem também é marcado pela chamada diplomacia presidencial. O termo ganhou corpo devido à atuação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que elevou a projeção do Brasil no exterior com sua intensa agenda internacional. E mantém-se em alto nível pelo presidente Lula, que desde o seu primeiro mandato se movimenta com necessária autoconfiança em momentos-chave das relações exteriores — apesar das críticas feitas por especialistas sobre o excessivo personalismo, tom autolaudatório e contaminação ideológica de algumas dessas iniciativas.

Muitos duvidavam da possibilidade de Lula e Trump se entenderem. Outros lembravam que isso já ocorreu entre o petista e o republicano George W. Bush. O fato é que, a despeito das divergentes visões de mundo e concepções ideológicas, Trump e Lula passaram de um relacionamento distante para, nas palavras do americano, “uma química excelente”.

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Maior diálogo

Após telefonemas e um encontro na Malásia, o ponto alto da reaproximação ocorreu no dia 7 de maio, quando Lula visitou Trump na Casa Branca e os dois acertaram que as equipes técnicas dos dois países teriam 30 dias para alinhar as expectativas e construir entendimentos. Justamente poucos dias antes da Semana do Brasil de Nova York.

Nesse contexto, desafios e oportunidades ficaram ainda mais claros durante o evento realizado pelo Valor e seus parceiros.

Espera-se um aprofundamento do diálogo entre os dois governos para a cooperação em áreas como agricultura, direitos humanos, desarmamento e não proliferação, temas consulares, energia limpa, comércio e temas político-militares. Há expectativa de avanço das conversas sobre inteligência artificial, computação quântica, base industrial de defesa e combate ao crime organizado.

O Brasil tenta ainda sensibilizar os americanos de que o país, deficitário nas relações comerciais bilaterais, não tem motivo para estar entre os alvos do tarifaço nem das investigações comerciais conduzidas pelas autoridades americanas. Os americanos, por sua vez, vislumbram o fortalecimento do suprimento regional de minerais críticos. O governo brasileiro insiste que isso deve se dar com o processamento e agregação de valor dentro do território nacional.

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Decidido a atrair investimentos estrangeiros, o Brasil tenta também marcar posição contra a intervenção militar dos EUA na região. Tudo isso em um momento em que a “defesa da soberania” é um tema crescente na campanha eleitoral.

Os próximos dias devem ditar o ritmo da atual fase das relações entre Brasil e EUA. O importante é que isso se dê, como a Semana em Nova York demonstrou que é possível, em função dos interesses das duas nações e dos empresários que atuam nos dois países — com a menor contaminação política possível.