Evelyn Bastos, rainha mais votada por especialistas, começou a desfilar à frente da bateria aos 10 anos

 

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Os versos “Eu sou a essência do samba/A minha raiz é de bamba/Sou Mangueira, o tronco forte que dá fruto a vida inteira” fizeram, aos 8 anos, a rainha Evelyn Bastos confessar à lendária Tânia Bisteka, já consagrada como rainha da escola, que queria também ser rainha de bateria da Estação Primeira de Mangueira: "Tia, eu vou ser rainha igual a vc!". No carnaval de 2001, a Verde e rosa defendia o enredo “A seiva da vida”, desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes, que revelava as contribuições do mundo moderno pela cultura fenícia.

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Nascida na localidade de Três Tombos e atual moradora da Olaria, ambas dentro do Morro da Mangueira, a história de Evelyn começou muito antes de ela desejar o posto de rainha. Sua mãe, Valéria Bastos, havia ocupado o cargo entre os anos de 1987 e 1989. Suas tias já eram passistas e a sua avó paterna desfilou praticamente a vida inteira como baiana e também era mãe de santo conhecida no morro.

Aos 4 anos, a menina Evelyn já fazia parte da escola mirim da Verde e rosa, a Mangueira do Amanhã. Aos 10, ela se tornou rainha de bateria da escola mirim e aos 11, foi “promovida” à ala de passistas da escola-mãe. Uma petição foi feita ao Juizado da Infância pelo então dirigente da escola, Álvaro Caetano, o Alvinho, para que a menina pudesse desfilar em uma ala adulta. Aos 15, ela se torna musa da escola. Aos 18, ela ganha o concurso "Musa do carnaval", do programa Caldeirão do Huck, da TV Globo.

Evelyn Bastos é rainha de bateria da Mangueira

Reprodução / Instagram

Mesmo querendo muito o cargo, Evelyn se sentia desconfortável com as poucas rainhas da comunidade naquele ano. Só havia ela e a Raíssa Oliveira, ex-rainha de bateria da Beija-Flor. Em uma entrevista recente ao "Setor Sul podcast", ela resumiu o que sentiu: “O retrato não era para mim. Não havia mulheres como eu”.

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Enquanto os surdos marcavam e os tamborins afinavam, a jovem Evelyn não se deixou intimidar. Onde ela sonhou chegar, ela conseguiu. Medindo 1,74m e jogadora de basquete, na posição de ala, a jovem conseguiu ser federada em um projeto esportivo dentro da Vila Olímpica da Mangueira. Com o sonho de ser professora, terminou a sua primeira graduação em Educação Física e, logo depois, a segunda em História, quando se descobriu uma fanática por assuntos que envolviam a Segunda Guerra Mundial.

Evelyn Bastos como rainha de bateria da escola Mangueira em 2023, no desfile do primeiro dia da Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Mauro Pimentel/AFP

Já adulta, Evelyn fez uma pós-graduação em Gestão de Projetos e conseguiu acumular mais duas funções que atua: a gestão da presidência da Mangueira do Amanhã (a escola onde tudo começou) e como diretora cultural da Liesa.

Em 2026, Evelyn Bastos completa já 12 anos à frente da bateria dos mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto na Estação Primeira de Mangueira. Praticante do candomblé, filha de Oxum Opará, Evelyn entende a nudez na Avenida como uma poderosa arma artística. E é um somatório de funções na menina que sonhou em ser rainha de bateria e como dizia aquele samba de 2001, cruzou as fronteiras do tempo.